Quantas vezes você já decidiu começar uma nova rotina para melhorar sua saúde? Talvez tenha se matriculado na academia, planejado uma dieta ou decidido caminhar mais. Mas, com o tempo, percebeu que o entusiasmo inicial foi substituído pelo desânimo. Essa dificuldade em manter mudanças não acontece por falta de força de vontade, mas pelo modo como nossas expectativas e experiências moldam nosso comportamento.
A motivação para iniciar uma mudança costuma ser alimentada por expectativas. Queremos emagrecer, ter mais energia ou reduzir o risco de doenças. Esses objetivos futuros nos impulsionam a dar o primeiro passo. No entanto, para que um hábito se torne parte da rotina, é a experiência diária que importa. Ou seja, não basta querer mudar, o processo precisa ser agradável ou, pelo menos, recompensador.
A experiência é o que sustenta a mudança
Pesquisas, como a conduzida no estudo Exploring Novel Determinants of Exercise Behavior, mostram que a motivação inicial está ligada à ideia de ter uma vida mais saudável, mas o que realmente faz com que alguém continue praticando um novo hábito é a qualidade da experiência. Se uma pessoa vai à academia esperando melhorar sua saúde, mas encontra um ambiente desmotivador ou exercícios que causam desconforto, a chance de desistência é enorme. Por outro lado, se a experiência é acolhedora e proporciona satisfação seja pelo suporte de um bom professor, pela companhia de amigos ou pelos primeiros sinais de progresso, a probabilidade de continuidade aumenta exponencialmente.
Isso também vale para outras mudanças, como a alimentação. Imagine alguém que decide comer de forma mais saudável, mas enfrenta refeições sem sabor ou difíceis de preparar. A experiência negativa cria resistência, enquanto alimentos saborosos e práticas simples geram uma conexão emocional positiva com o novo hábito.
Expectativa alta x realidade
Outro ponto importante é o desequilíbrio entre expectativa e realidade. No início, a maioria das pessoas acredita que as mudanças trarão benefícios rápidos e tangíveis. Porém, quando os resultados demoram a aparecer ou o esforço parece desproporcional, o desânimo toma conta. É aí que muitos desistem.
Por isso, é essencial que a mudança seja acompanhada de pequenas experiências, mas recompensadoras. Um exemplo? Em vez de focar apenas no peso perdido, celebrar a energia extra ou a sensação de bem-estar após um treino pode transformar o processo em algo mais prazeroso e menos focado apenas na balança.
A verdade é que mudar hábitos é um ato que começa com a mudança da mentalidade, mas só se sustenta pelo coração. Precisamos mais do que focar apenas nos resultados, precisamos de experiências que façam o caminho valer a pena. Ao entender que é a experiência, e não apenas a expectativa, que molda o sucesso de uma mudança, podemos criar ambientes e rotinas que nos impulsionem a continuar. Afinal, o segredo não está apenas em querer mudar, mas em viver a mudança de forma significativa e prazerosa.