O calendário avança, as leis se multiplicam e as campanhas de conscientização se espalham, mas a realidade insiste em mostrar sua face mais cruel: a violência contra a mulher continua a ser uma praga persistente na sociedade brasileira. Em apenas dois dias, dois casos emblemáticos expuseram, mais uma vez, a brutalidade e a impunidade que rondam essa questão.
No Distrito de Costa Machado, em Mirante do Paranapanema, um homem foi preso pela Polícia Militar por violência doméstica. A vítima, sua esposa, relatou ser constantemente agredida e, na ocasião, o agressor tentou golpeá-la com um pedaço de ferro, embriagado. O caso escancara a rotina de medo e sofrimento de milhares de mulheres que convivem com a violência dentro do próprio lar, muitas vezes sem ter a quem recorrer.
Em Santo Anastácio, um adolescente de 17 anos foi apreendido por agredir sua ex-namorada da mesma idade. Com histórico de violência doméstica contra a própria mãe, o jovem agarrou a vítima pelo pescoço, desferiu socos e roubou seu celular. A reincidência desse tipo de crime entre gerações mais jovens acende um alerta sobre o ciclo da violência e a falha na prevenção.
Os dois episódios são apenas um reflexo da realidade vivida por incontáveis mulheres no Brasil. Muitas violências são cometidas por companheiros ou ex-companheiros. A Lei Maria da Penha e a Lei do Feminicídio representam avanços jurídicos, mas não são suficientes para erradicar um problema que é também social e cultural.
A solução passa por educação, políticas públicas eficazes e pelo fortalecimento de redes de apoio às vítimas. Denunciar é essencial, mas garantir proteção e acolhimento também. A sociedade não pode continuar assistindo inerte a essa realidade devastadora. Enquanto a violência contra a mulher persistir, o Brasil seguirá em débito com suas cidadãs e com a própria justiça.