Visando identificar a carência de PCDs (pessoas com deficiência) no mercado de trabalho de Teodoro Sampaio, a Odebrecht Agroindustrial desenvolveu, em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), o projeto Acreditar na Diversidade, cujo objetivo foi a formação profissional e a inserção de pessoas com deficiência no mercado de trabalho.
De acordo com a responsável por Pessoas e Organização da Odebrecht Agroindustrial, Karina Fonseca, e o líder de Pessoas e Administração do Polo São Paulo, Erico Baracho, o principal problema encontrado pelos realizadores é a falta de qualificação deste público. Sendo assim, foi elaborado um curso de capacitação, direcionado à área de assistência administrativa e aplicado após o mapeamento e a seleção de um grupo de 20 pessoas com deficiências diversas.

Fábio Alves realizou o sonho de contar com emprego fixo
Destas, 17 concluíram o curso, duas conseguiram uma colocação na Odebrecht Agroindustrial e uma foi encaminhada para uma empresa terceirizada. As demais seguem em acompanhamento e tiveram seus currículos disponibilizados em repartições próximas para futuras contratações.
Conforme Karina e Erico, as privações não partem apenas das empresas, mas das próprias famílias, que, com o propósito de protegerem seus filhos, acabam impedindo que eles se desenvolvam pessoal e profissionalmente, já que uma posição no mercado de trabalho também assegura a autoconfiança. Outro ponto visado pela corporativa foi a capacitação das lideranças, uma vez que muitas ainda não estão habituadas a se relacionarem ou adequarem o espaço de trabalho às pessoas com deficiência. "Cumprir a cota é uma consequência do trabalho. O maior resultado é conseguir capacitar e formar pessoas produtivas", expõe Karina.
Realização pessoal
"Sempre ouvi falar da usina. Meu sonho era andar no ônibus amarelo e vestir o uniforme. Estou realizando um sonho", relata o auxiliar de manutenção automotiva da Odebrecht Agroindustrial, Fábio Alves, que não permitiu que a deficiência intelectual atrapalhasse o seu objetivo de ter uma profissão e garantir estabilidade e qualidade de vida para a filha de quatro anos. Sua função na empresa é lavar máquinas e equipamentos, como carros, caminhões e tratores, o que ele considera uma atividade nova, mas de grandes aprendizados. "No dia a dia é legal, é igual uma família. Todos os meus colegas me respeitam. Quando eles precisam de ajuda, eu vou e ajudo", comenta.
Antes da contratação, Fábio passou pelo curso de capacitação promovido pela corporativa em parceria com o Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), onde teve a oportunidade de aprender sobre as rotinas administrativas de uma empresa. "Aprendi informática, que nunca tinha visto, a mexer no computador e usar a internet", conta. Ele ainda destaca a convivência com as pessoas que possuem outros tipos de deficiências, pois "um ajudava muito o outro". "Fiquei muito feliz quando o Eduardo foi contratado também. Ele vai à minha casa todos os dias, a gente gosta de andar de bicicleta e passear em Teodoro Sampaio", descreve.
Antes de ingressar na Odebrecht Agroindustrial, Fábio chegou a trabalhar em uma "empresa de frango", em Paranavaí (PR), mas como era muito longe da sua casa e não tinha com quem deixar a sua filha, precisava faltar muito, permanecendo no local apenas no período de experiência de três meses. Depois, seguiu a vida carpindo terreno, limpando quintais e fazendo serviços de pedreiro. Apesar das dificuldades com a leitura, interpretação de textos e escrita, o novo auxiliar de manutenção automotiva está feliz por ter agora um emprego fixo. "Ajudo minha mãe, porque eu pago as contas de água e luz. Agora consigo comprar minhas roupas e outras coisas que quero. Acabei de comprar um celular. Hoje tenho uma profissão. Fico feliz", comemora.