A sociedade pode ser decisiva para o crescimento de uma empresa, desde que haja um planejamento exclusivo para compor e administrar a parceria. A compatibilidade de valores, objetivos e visão reduz os riscos, semelhante a um casamento, mas, diferentemente dele, os recursos para reparar desentendimentos são bem mais escassos (rs).
Entre os principais benefícios de uma sociedade estão a divisão de responsabilidades e riscos, permitindo que as decisões não recaiam sobre um único empreendedor. Além disso, a complementaridade de habilidades entre os sócios fortalece a gestão, enquanto o aporte de capital e a ampliação da rede de contatos facilitam o crescimento da empresa. Outro ponto positivo é a melhoria na tomada de decisões, pois contar com diferentes perspectivas pode evitar erros estratégicos.
Por outro lado, os desafios de uma sociedade também são consideráveis. Conflitos e divergências na gestão podem prejudicar o desenvolvimento do negócio, especialmente se os sócios tiverem visões opostas sobre direção e estratégia. A divisão de controle e lucros pode gerar insatisfação caso não haja percepção de justiça na distribuição financeira. Além disso, questões pessoais podem interferir no ambiente de trabalho, comprometendo a produtividade e a confiança mútua.
Saque de dinheiro, divisão de lucros e distribuição de tarefas é problema recorrente. Nas consultorias que realizo, sempre indico um modelo que direciona os esforços para ajustar a remuneração dos sócios. Proponho que os sócios sejam, antes de tudo, encarados como investidores, participando diretamente das decisões estratégicas e tendo interesse nos dividendos (divisão do lucro líquido) da empresa.
Se o empresário é empregado da própria empresa, ou seja, trabalha e cumpre horário como diretor, gerente financeiro, compras ou qualquer outra função, deve ser remunerado neste momento pelo salário comercial da respectiva função. Este é um valor que faz parte das despesas da empresa e recebe-se na folha de pagamento, o complemento dos recebíveis vem da divisão do lucro líquido. Aquelas intrigas devido a um sócio sentir que trabalha mais do que outro, acabam.
A adoção desse modelo evita desgastes comuns em sociedades empresariais, pois estabelece regras claras sobre trabalho, remuneração e distribuição dos lucros. Quando cada sócio compreende seu papel e sua forma de retorno financeiro, as expectativas são alinhadas, reduzindo conflitos e fortalecendo o crescimento sustentável do negócio.