Sobre a páscoa cristã:  Deus se fez carne. Deus, para falar de si, tornou-se homem.  A palavra se fez carne. 

OPINIÃO - Saulo Marcos de Almeida

Data 02/03/2021
Horário 06:04

A encarnação de Deus continua sendo o grande mistério divino a tocar a vida humana: Deus se fez gente e habitou entre nós. Tornou-se humano e construiu uma linda história de amor, sofrimento redenção. 
Linguagem (palavra) e corpo (carne) são elos inseparáveis no encontro místico de Deus com a humanidade. Assim é que o divino verbo se fez pessoa, gente com o nome de Emanuel: Deus conosco!  
Enquanto tantos homens e mulheres buscam uma espiritualidade desencarnada (não histórica), negando o corpo em detrimento do espírito, buscando o céu e a eternidade (o porvir) em prejuízo da existência, o criador preferiu se fazer carne assumindo forma humana e vivendo a realidade terrena junto dos seres humanos criados à sua imagem e semelhança. Então, pisou nosso chão; degustou nossa comida; sorriu nossa alegria; brincou com as crianças; exalou os lírios do campo; tomou banho de chuva e chorou as dores e sofrimento do necessitado...Deus escolheu viver entre nós experimentando a vida em meio às alegrias e agonias do nosso existir.
O Espírito se fez carne. O amor se fez corpo: Ó Cristo! Pão da vida, descido lá do céu. 
No mistério da encarnação, Deus se entrega e confessa o desejo de comungar com a humanidade do mesmo pão e cálice do sofrimento. Ele se dá a ponto de morrer: pão/corpo e vinho/ sangue. Eis o sinal visível da graça divina: Deus se encarna, mas se parte e se reparte em favor de todos nós! 
Mas o corpo que nasceu e morreu, também ressuscitou. A morte morreu! 
Creio na ressurreição do corpo afirma o Credo de todos os cristãos espalhados no mundo. 
Dessa confissão de fé renasce a esperança e surge uma nova vida. Os corpos velhos ou jovens, sadios ou doentes, ressurgem para o tempo do Espírito que novamente sopra a vida oferecendo um novo jardim para a humanidade. Então, desejo e esperança se instauram e se completam como sinais ou símbolos presentes da ausência do Cristo que não mais está entre nós.
A ressurreição do corpo é o cerne da teologia cristã: E, se Cristo não ressuscitou é vã a vossa fé – I Coríntios 15:14 diz o apóstolo Paulo. Em outras palavras: a fé adquire legitimidade pelo testemunho histórico de um túmulo vazio e de um corpo ressurreto. A crença na ressurreição é o maior ato de fé do cristianismo. 
Ao professar a crença na ressurreição do corpo e, por conseguinte, na vida eterna afirma-se fazer parte do grande corpo de Cristo e que a Ele pertence toda a criação. A revelação então acontece: no nosso corpo se revelam os desejos mais bonitos de Deus! Talvez por isso Ele tenha dito em forma de poesia:  viu que era muito bom! 
Ressurreição é a vida elevada à potência máxima em tudo o Deus criou. Concretização do sonho divino na restauração do corpo e na plena recuperação da natureza: árvores, rios e sabiás. Que venha a ressureição do corpo! 

 

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