Sindicatos abordam reflexos da mudança

PRUDENTE - SANDRA PRATA

Data 01/11/2018
Horário 09:13
José Reis - Entre medidas adotadas, sindicato reduziu quadro de funcionários
José Reis - Entre medidas adotadas, sindicato reduziu quadro de funcionários

Embora este diário tenha noticiado recentemente que o setor de supermercados tenha sido um bom provedor de empregos no Estado, nem todo o segmento alimentício enfrenta bons ares, bem como seus sindicatos. Este é o caso do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Alimentação de Presidente Prudente. A entidade já abriu mão de patrimônio e funcionários - o quadro que antes era de 12, hoje atua com nove profissionais -, segundo o presidente José Gonçalves da Silva. O motivo é a reforma trabalhista, que não classifica mais como obrigatória a contribuição sindical por meio da folha de pagamento e, sim, opcional. Isso, conforme o titular da instituição, tem feito com que seja preciso “fazer de tudo para sobreviver”.

Conforme José, o sindicato está passando por um processo de adequação a novas formas de trabalho que não exijam gastos. “Estamos buscando todas as alternativas possíveis, aproximando a categoria, tudo para que consigamos seguir”, pontua. A esperança, para ele, é a resolução do cenário político a partir deste mês, já que, dependendo do resultado, é possível que exista uma revogação ou alteração nas novas leis. “A nossa categoria não pode ficar desamparada, precisa de alguém que defenda os direitos”, acentua. Categoria essa que, de acordo com ele, segue estável em Prudente, sem admissões e nem demissões.

Enquanto isso, no Sindicato dos Bancários de Presidente Prudente e Região, a sensação é de otimismo. De acordo com o presidente da entidade, Edimilson Trevisan, por meio de ações de conscientização, o sindicato conseguiu manter boa parte de seus contribuintes. “Mostramos a importância do nosso serviço, somos nós que representamos a classe e lutamos por nossos direitos, eles têm essa noção e sabem que é importante ajudar”, relata. Embora não tenham atingido 100% dos colaboradores, ele explica que não há motivos para se queixar, e o sindicato continuará trabalhando como sempre trabalhou.

Mesma situação ocorre no Sindetanol (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas, Farmacêuticas e Fabricação de Álcool, Etanol, Bioetanol e Bicombustíveis de Presidente Prudente e Região). Segundo o presidente Milton Ribeiro Sobral, tudo se faz na base do acordo, da necessidade de se manter o serviço. “E não é essa contribuição que mantém a entidade em funcionamento, ajuda, mas não é só ela”, explana.

Para quem contribui os reflexos ainda não foram sentidos. Pelo menos não para Luciana Borba Veiga, 40 anos, funcionária de uma concessionária de veículos de Prudente. Ela faz contribuição sindical há 20 anos e conta ter seus direitos assegurados. “Mas tenho amigos que já estão sofrendo as consequências das mudanças, terceirização, divisão de férias, entre outros fatores. Não sei dizer se isso é ou não vantajoso”, frisa.

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