Simpósio discute leishmaniose na região

REGIÃO - MARCO VINICIUS ROPELLI

Data 29/11/2019
Horário 05:19
Paulo Miguel - Elaine: "Manejo da leishmaniose é muito difícil"
Paulo Miguel - Elaine: "Manejo da leishmaniose é muito difícil"

Segundo a pesquisadora científica do IAL (Instituto Adolfo Lutz) e responsável pela subsede de Leishmaniose da RRAS 11 (Rede Regional de Atenção à Saúde) de Presidente Prudente, Lourdes Aparecida Zampieri D´Andrea, a região, representada pelos Grupos de Vigilância Epidemiológica de Presidente Prudente e Presidente Venceslau, vive uma situação endêmica. Ela afirma que o Ministério da Saúde enviou à RRAS 11, neste ano, 1.580 kits (31,6 mil testes rápidos), número menor que no ano de 2018, quando foram 1.833 kits (36.660 testes).

O terceiro Simpósio de Leishmaniose do Oeste Paulista, realizado ontem no Salão do Limoeiro, no campus 2 da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), objetivou, portanto, reunir pesquisadores, técnicos e profissionais da saúde para discutir a situação da região e propor formas de cuidados e prevenção nos elos da cadeia (o parasita, o vetor, o reservatório, o ser humano e o meio-ambiente).

A diretora da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), Ivete da Rocha Anjolete, destaca que quatro cidades do oeste paulista estão na condição de prioritárias em relação à endemia de leishmaniose (entre 13 no Estado de São Pulo), são elas Dracena, Junqueirópolis, Panorama e Presidente Epitácio.

FORMAS DE PREVENÇÃO

E LOCAIS PARA EXAMES

Lourdes afirma que a palavra-chave do simpósio é a prevenção e que a saúde pública necessita da colaboração da população. “Os munícipes precisam limpar os quintais, ter posse responsável de seu animal, deixar que os agentes de saúde entrem em seu quintal, permitir que colham sangue para exame dos animais e que vacinem os cães”, enfatiza. Ela elenca os locais de referência na região para realização do exame rápido de leishmaniose: HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo e santa casa de Presidente Prudente, e as santas casas de Dracena, Junqueirópolis, Presidente Epitácio e Tupi Paulista.

CASOS DA DOENÇA

EM PRUDENTE

A supervisora da Vigilância Epidemiológica de Presidente Prudente, Elaine Bertacco, recorda que o protozoário causador da doença chegou a Prudente em 2009, já nos próximos anos foram registrados casos de cães infectados pela doença, mas foi em 2013 o primeiro caso de leishmaniose visceral (a única registrada no município) em seres humanos; em 2016 e 2017, os únicos dois óbitos registrados na região; e, neste ano, até então, nenhum caso foi confirmado.

“Na minha visão é uma doença que tem mais importância que a dengue, pois o manejo é mais difícil. O mosquito-palha coloca os ovos em matéria em decomposição, é difícil de ver”, aponta Elaine. Ela também destaca a complexidade do manejo ambiental depois de constatados casos. “Retiramos das casas matéria em decomposição, podamos árvores, fazemos inquérito sorológico dos animais [exame] e realizamos a borrifação do veneno. É como pintar a casa, precisa mexer em todos os móveis, borrifar em cada parte das paredes”, destaca.

Leishmaniose visceral em Presidente Prudente

 

Casos

Óbitos

Bairro

2013

1

0

Jardim Paraíso

2014

1

0

Jardim Cobral

2015

1

0

Não informado

2016

2

1

Residencial São Paulo e Universitário

2017

2

1

Jardim Cinquentenário e Prudentino

2018

1

0

Jardim Estoril

2019

0

0

Não informado

Fonte: VEM

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