Região tem alta de 41% na  incidência de raios, com 425 mil descargas elétricas em 2024

Professor doutor José Tadeu Tommaselli explica que oeste paulista, assim como a Amazônia, concentra registros por estar em parte mais úmida do continente

REGIÃO - MELLINA DOMINATO

Data 05/04/2025
Horário 04:04
Foto: Freepik
De acordo com o Inpe, raios podem ser perigosos e atingir diretamente uma pessoa
De acordo com o Inpe, raios podem ser perigosos e atingir diretamente uma pessoa

Dados do Elat (Grupo de Eletricidade Atmosférica) do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) indicam que, em 2024, 425 mil raios foram registrados nos 53 municípios do oeste paulista. O número é 41,6% mais alto em comparação a 2023, quando ocorreram na região 300 mil descargas elétricas. Docente do Programa de Pós-graduação em Geografia da FCT/Unesp (Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista), campus de Presidente Prudente, o professor doutor José Tadeu Garcia Tommaselli explica que a região, assim como a Amazônia, tem uma incidência de raios bastante elevada, pois, ao contrário do Nordeste, fica em uma parte mais úmida do continente. 

“No mundo há cerca de 10 milhões de raios por dia. Isso vai dar mais ou menos 3 bilhões de raios por ano. E, embora o planeta seja hoje 70% de água e 30% de continentes, tem uma coisa interessante: só 10% desses raios vão cair sobre o oceano. Os outros 90%, sobre os continentes. E, nos casos do Brasil, da África, essas regiões mais tropicais, são as que vão ter maior incidência de raios. Quanto mais úmido o local, maior o número de incidência de raios”, indica o professor doutor.

Entre as regiões do mundo onde mais ocorrem descargas elétricas, como Uganda, na África Oriental; em Maracaibo, na Venezuela; na Ilha de Java, na Indonésia, José Tadeu destaca a presença do oeste paulista. “O Brasil, de modo geral, é um dos lugares do mundo que mais ocorrem raios, porque nós estamos em uma região tropical, ou seja, há bastante movimento energético da atmosfera. É uma região que tem muita radiação solar disponível e essa radiação solar é transformada em energia de movimento. Então, tem muita nuvem na nossa região, então, bastante raio”, detalha.

Incidência de relâmpagos

Corrente elétrica intensa que ocorre na atmosfera com típica duração de meio segundo e trajetória com comprimento de 5 a 10 quilômetros, o relâmpago passa a ser chamado de raio quando atinge o solo. O fenômeno, segundo o Elat, é consequência do rápido movimento de elétrons que fazem o ar ao seu redor se iluminar, resultando em um clarão e em aquecimento, que geram um som: o trovão. 

Normalmente associados a tempestades com chuvas e ventos intensos, os relâmpagos são muito presentes no oeste paulista. “Os números do Brasil são da ordem de nove relâmpagos por quilômetro quadrado por ano. Nossa região, está mais ou menos nessa faixa”, pontua José Tadeu,

“Outra coisa que tem acontecido ultimamente e alguns estudos já estão apontando nesse sentido: parece, ainda não está claramente definido, mas os primeiros indicadores são positivos, de que as regiões urbanas estão tendo mais incidência de raios que as regiões rurais. Isso daí, porque a área urbana é uma área mais quente, então, mais quente, mais energia, mais movimento e, teoricamente, mais raios”, explica o professor doutor.

Risco à vida

De acordo com o Inpe, os raios podem ser perigosos e podem atingir diretamente uma pessoa. A chance de isso ocorrer é algo em torno de um para 1 milhão. Entretanto, a maioria das mortes e ferimentos não são devido à incidência direta e, sim, aos efeitos indiretos associados a incidências próximas ou efeitos secundários das descargas, normalmente associados com incêndios ou queda de linhas de energia que venham a atingir um indivíduo.

“A corrente do raio pode causar sérias queimaduras e outros danos ao coração, pulmões, sistema nervoso central e outras partes do corpo, através de aquecimento e uma variedade de reações eletroquímicas. A extensão dos danos depende sobre a intensidade da corrente, as partes do corpo afetadas, as condições físicas da vítima, e as condições específicas do incidente”, destaca o instituto.

Conforme o Inpe, cerca de 20 a 30% das vítimas de raios morrem. “A maioria, por parada cardíaca e respiratória e, cerca de 70% dos sobreviventes, sofrem por um longo tempo de sérias sequelas psicológicas e orgânicas”, releva. “As sequelas mais comuns são diminuição ou perda de memória, diminuição da capacidade de concentração e distúrbios do sono. No Brasil é estimado que cerca de 130 pessoas morrem por ano atingidas por raios e cerca de 500 ficam feridas”, conclui.

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