Região pode ter 5 mil pacientes renais crônicos

De acordo com nefrologista, estatisticamente, número de pessoas que desconhece a doença ou não é atendido por diálise é 10 vezes maior que total de dialíticos

REGIÃO - ANDRÉ ESTEVES

Data 28/09/2018
Horário 05:21
José Reis - Fórum sobre doença renal crônica foi realizado na manhã de ontem
José Reis - Fórum sobre doença renal crônica foi realizado na manhã de ontem

Dados do Carim (Associação de Apoio ao Paciente Renal Crônico) apontam que, na região de Presidente Prudente, cerca de 500 pessoas com doença renal crônica realizam tratamento dialítico, enquanto aproximadamente 800 fazem o tratamento conservador, baseado na ingestão de medicamentos e mudança de hábitos alimentares, com o objetivo de protelar o avanço para a hemodiálise. De acordo com Gustavo Navarro Betônico, médico nefrologista responsável técnico pelo serviço de hemodiálise do HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo, o que realmente preocupa a classe médica são os indivíduos que desconhecem ter a doença ou ainda não são atendidos pelo serviço de diálise. Segundo ele, estatisticamente, este número é praticamente 10 vezes maior do que o total de dialíticos. Sendo assim, é possível estimar que pelo menos 5 mil pessoas estejam fora da máquina e necessitem de tratamento ou não tenham a doença reconhecida.

As informações foram divulgadas durante o 4º Fórum da Pessoa com Insuficiência Renal Crônica e Transplantada, realizado na manhã de ontem, no Centro Cultural Matarazzo, em Prudente, com a finalidade de debater possíveis avanços no tratamento da patologia. Uma vez que o total de máquinas disponibilizadas para o atendimento aos pacientes e o número de transplantes ofertados não acompanham, segundo Gustavo, a demanda existente na região, a prevenção é um dos caminhos para evitar que o diagnóstico seja feito tardiamente. Desta forma, orienta que pessoas com fatores de risco como obesidade, diabetes, pressão alta e histórico familiar façam os exames de urina e creatinina, os quais podem ser solicitados junto a um médico generalista ou especialista. “Estamos diante de uma doença silenciosa, cujos sintomas ocorrem apenas em fases avançadas. Com o diagnóstico precoce, conseguimos evitar a chegada à diálise, que é o medo de todo mundo”, esclarece.

O especialista expõe que, no caso do transplante, a região esbarra em duas situações. A primeira é quando o paciente é contemplado com o serviço de hemodiálise, mas não consegue entrar para a lista de transplante, pois os exames não são realizados na velocidade necessária. A segunda ocorre quando o paciente já está incluso nesta lista, porém, não há órgãos suficientes, porque a quantidade de doadores é aquém da fila de novos doentes.

Oferta externa

A fundadora do Carim, Sumaia Zakir, e o presidente da entidade, Cássio Mitsuo Tuboni, destacam que, atualmente, grande parte dos renais crônicos busca o transplante em outras cidades ou Estados. É o caso de Cássio, que foi diagnosticado aos 40 anos e permaneceu em tratamento dialítico por dois anos até conseguir um rim em Blumenau (SC). “No Estado de São Paulo, o tempo médio de espera é de cinco anos, porque a fila caminha de forma muito lenta. Há situações em que o paciente consegue em pouco tempo, mas são raras”, pondera o presidente. “Além disso, não é todo mundo que tem condições financeiras para arcar com as despesas de viajar para outros locais”, acrescenta.

Sumaia diz que, nesse sentido, o Carim promove atendimentos sociais aos pacientes cadastrados, com o objetivo de acolhê-los de acordo com as necessidades deles e as disponibilidades da instituição. “Contudo, não conseguimos fazer tudo sozinhos e precisamos do apoio da comunidade e dos gestores, uma vez que, enquanto ONG [organização não governamental], nosso papel é cobrir a falha do poder público nas situações em que se mostra ausente”, denota.

O DRS-11 (Departamento Regional de Saúde de Prudente) esclarece que o município está dentro dos parâmetros de assistência estabelecidos por portaria federal e que possui três serviços que realizam hemodiálise na região: o HR, a santa casa de Prudente e a santa casa de Dracena. Juntos, eles atendem mais de 460 pacientes em todo o DRS 11. “Existe no plano de ação na linha de cuidado da pessoa com doença renal crônica a proposta de instalação de um serviço de hemodiálise no município de Presidente Epitácio, que está em andamento”, acrescenta.

NÚMEROS

500

pessoas com doença renal crônica realizam tratamento de diálise

800

pacientes fazem tratamento conservador, baseado em medicamentos

Publicidade

Veja também