Promotoria investigará suposta venda de ônibus

Inquérito deve apurar, nos próximos dias, a acusação da TCPP de uma dívida da Prudenco em R$ 69,9 mil pela aquisição do veículo

PRUDENTE - GABRIEL BUOSI

Data 28/12/2017
Horário 12:01

A suposta venda de um ônibus entre duas empresas que operam em Presidente Prudente, a TCPP (Transporte Coletivo de Presidente Prudente) e a Prudenco (Companhia Prudentina de Desenvolvimento), será motivo de investigação por parte do MPE (Ministério Público Estadual), já que de um lado está a acusação de uma dívida em R$ 69,9 mil, que percorre há mais de dois anos, por meio de um negócio jurídico, e do outro lado a negação de compra e a ideia sustentada em um empréstimo, sem custo, para a locomoção de reeducandos.

O inquérito civil será instaurado nos próximos dias, conforme o promotor de Justiça, Mário Coimbra, já que, na última semana, como noticiado por este diário, a TCPP informou que vendeu um ônibus da empresa, sem licitação, que seria utilizado para o transporte dos funcionários da Prudenco, uma firma de economia mista. A Companhia Prudentina de Desenvolvimento, por sua vez, contestou na data a alegação ao afirmar que o veículo havia sido emprestado, sem custo, para o auxílio de natureza social, na locomoção de reeducandos da Penitenciária Wellington Rodrigo Segura, do distrito de Montalvão, em Presidente Prudente. “Jamais houve um acordo da empresa com a Prudenco para o auxílio em obras de cunho social, até porque as obras sociais da TCPP são todas direcionadas a uma entidade específica da cidade. A verdade não pode ser moldada à vontade e conveniência de alguns”, informa o documento da empresa de ônibus.

Ainda segundo a TCPP, um real negócio jurídico entre as partes foi firmado e o pagamento, no valor do veículo, em R$ 69,9 mil, é cobrado há dois anos e oito meses. “O excelentíssimo diretor-presidente da Prudenco, Mateus Martins Godoi, procurou a TCPP em abril de 2015, com a intenção de comprar um ônibus que seria destinado ao transporte de seus funcionários. A TCPP apresentou todos os veículos de sua frota que tinha disponíveis para venda e o gestor se interessou pelo ônibus em questão e negociou a compra”, ressalta. O pagamento, segundo a nota, ficou acertado para 28 dias corridos a partir de 23 de abril de 2015, data de entrega do veículo, sendo a venda contestada pela TCPP por falta de licitação pública. “O diretor alegou que não seria necessária a realização de uma licitação pelo fato do valor do veículo a ser comprado ser inferior ao mínimo de R$ 80 mil, preço este que, se excedido, deveria haver licitação prévia”.

Ao final do prazo dado, 28 dias, a Prudenco teria alterado o discurso e dito que para liberar o pagamento, conforme a nota, uma carta-convite precisaria ser enviada para a empresa, fato aguardado até a data de ontem, sendo que as cobranças já atingiram os dois anos e oito meses. “Um montante alto e que afeta nosso fluxo de caixa, prejudica todas nossas operações e, consequentemente, a qualidade do transporte e da vida de todos os cidadãos prudentinos. É com muito pesar que tenhamos que expor esta tamanha desconsideração que sofremos a público. Mas a situação já está há muito tempo insustentável e merece uma solução”, finaliza a TCPP no documento enviado anteontem.

 

Prudenco

A reportagem entrou em contato com a Assessoria de Imprensa da Prudenco e também com o diretor-presidente da empresa e foi informada de que a empresa manteria o posicionamento enviado na última semana, por meio de uma nota, que foi trabalhado e explicado no texto acima. No documento, a Companhia Prudentina de Desenvolvimento negava com “veemência” a acusação da suposta compra do ônibus sem licitação e informava que veículo havia sido emprestado, sem custo, para o transporte coletivo da Prudenco, como auxílio de natureza social para a locomoção de reeducandos do sistema penitenciário e viabilizando assim a prestação de serviços pelos mesmos na cidade, sem ônus ao município.

“Lamentamos o uso político do fato acima para criar comoção entre a população usuária do sistema de transporte coletivo, a Prudenco, como tantas outras empresas, sofre as consequências político-econômicas que assolam o país, mas nunca se nega a pagar seus fornecedores”, acrescenta o posicionamento.

 

Paralisação de serviço

As denúncias da falta de pagamento da Prudenco surgiram junto com a notícia de paralisação da TCPP, na quinta-feira da semana passada, dia 21, que informou não operar a partir do dia 25 de dezembro, segunda-feira, caso a Companhia não efetuasse um pagamento no valor de R$ 132 mil, em relação à compra de vales-transportes aos funcionários. A dívida por parte da Prudenco, porém, dobrava e chegava ao valor de mais de R$ 265 mil se somada com a falta de pagamento à Company Tur Transporte e Turismo, conhecida como Pruden Express.

Na sexta-feira, dia 22 de dezembro, porém, como noticiado por este diário, a empresa de transportes informou que não paralisaria mais o serviço, pois havia recebido uma proposta e pagamento de parte do valor. A Companhia, conforme o diretor-presidente, à época, efetuou o pagamento no valor de R$ 68.666,76 às duas empresas, no mesmo dia, sendo o valor dividido entre elas e corresponde à primeira parcela de uma proposta que divide em quatro vezes o montante total devido, em R$ 265.508,28, conforme apontou a TCPP. A proposta, porém, foi recusada pela Pruden Express e será debatida nos próximos dias.

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