"O esporte mudou a minha vida", resume Eduardo Pereira, 34 anos, professor de handebol em Álvares Machado. "Ter a oportunidade de proporcionar a eles a chance de sonhar com algo melhor lá frente é ótimo", diz Paulo César Marini, 26 anos. O que ambos tem em comum? Eles são os responsáveis pelo projeto que, desde março de 2014, quer transformar a vida de crianças e adolescentes através da paixão pela modalidade. As ações contemplam 40 alunos da rede pública de ensino e tem surtido efeitos positivos.
"Quando iniciamos as aulas os garotos nem conheciam o esporte. Então fizemos uma palestra, montamos a equipe e promovemos muitos amistosos", lembra Eduardo. Ele conta que tudo começou depois de ter recebido um convite do professor Paulo. "Apresentamos a ideia à Secretaria de Educação e ela gostou. Também tivemos o respaldo da Secretaria do Esporte", pontua.
Eduardo lembra ainda que a proposta surgiu a partir de um projeto semelhante no qual participou como atleta, quando era jovem. "Essa iniciativa não é inventada pela gente. Eu sou de Cubatão, que é uma cidade muito parecida com Álvares Machado. Lá a gente não tinha muita oportunidade e eu comecei a praticar em um programa similar. Eu era um garoto muito complicado e a partir do esporte comecei a ser mais responsável. Tudo o que conquistei foi graças ao esporte e tudo o que eu tenho foi pelo fato de ter sido atleta", comenta.
Paulo César acrescenta que "o projeto surgiu com cunho muito mais social do que esportivo". "A gente tinha a ideia de tirar os meninos da rua, no momento em que eles não estavam na escola. Então pensamos: vamos bolar um esporte que eles vão praticar, gostar e estarão aqui dentro do ginásio", relata.
Revelando talentos
Nas palavras de Eduardo, em um ano, o time tem demonstrado uma grande evolução, tanto que tem feito grandes jogos na Liga Regional de Handebol. "Isso é ótimo, a gente tem visto uma galera com muito talento para jogar handebol", garante.
E em um grupo com muitos garotos, há sempre aqueles que se destacam e têm e sonham em ser jogadores profissionais. "Eu quero jogar no Barcelona, na seleção brasileira e vou conseguir, pois acredito que depende da minha vontade e dedicação", diz Pedro Henrique de Oliveira Carvalho, 15 anos.
Já Guilherme Minca, 13 anos, fala ainda que não pensa somente no futuro dentro das quadras e que os ensinamentos dos professores o fizeram enxergar que existe a chance de ele se tornar um profissional, graças às oportunidades oferecidas pelo esporte. "O professor sempre fala que o esporte pode nos dar a chance de fazer uma faculdade e conquistar algo lá na frente", conta Guilherme que descobriu um "novo mundo" por meio do handebol. "A gente viaja para campeonatos quase todo fim de semana e com isso, fazemos amigos por todos os lugares. Isso é bem legal", pontua.
SAIBA MAIS
APOIO
Além das parcerias já citadas, o projeto conta ainda com o apoio da Atlética de Medicina de Prudente, que ajuda com materiais esportivos. "Como a maior parte dos garotos vem de família carente, eles sempre fazem campanhas para arrecadar tênis e uniforme, e isso é de grande ajuda para nós", diz o professor Eduardo. "Além disso, eles vêm jogar com os meninos, o que é um grande incentivo, pois são futuros médicos que gostam do esporte e se dedicam por aquilo também", elogia.