Procura eleva preços de matéria-prima de máscaras

De portas fechadas, comerciantes e costureiras driblam cifras para continuar trabalhando e oferecendo produto necessário de proteção facial, que ajuda na contenção de propagação da Covid-19

PRUDENTE - OSLAINE SILVA

Data 17/05/2020
Horário 17:08
Cedida - Costureiras sentem falta de matéria-prima para produção das máscaras
Cedida - Costureiras sentem falta de matéria-prima para produção das máscaras

Com a obrigatoriedade do uso das máscaras de proteção facial, que ajudam na contenção de propagação da Covid-19, aumentou a procura por estes acessórios artesanais e, consequentemente, a demanda pela matéria-prima necessária para a confecção, como tecidos, TNT, linhas e elásticos. Por conta da alta procura, os preços saltaram expressivamente, o que faz com que tanto os comerciantes quanto as costureiras artesãs de Presidente Prudente e região sintam diretamente os reflexos.

A mãe do empresário Odirlei Barbosa Rodrigues, 39 anos, já tem sentido a falta de tecido com cores neutras, como branco e preto. “Com isso, o tricoline que ela pagava, em média, R$ 16, está agora em torno de R$ 23”, expõe Odirlei, que ajuda a mãe nos trabalhos.

Davi Junior, 42 anos, gerente da Davi Armarinhos, confirma que certas medidas de alguns produtos dobraram de preço. Conforme ele, elástico, que vendia a R$ 14, por exemplo, está R$ 29. O TNT, que antes dessa pandemia, ele comercializava a R$ 57 o rolo com 50 metros, está repassando agora por R$ 75. “Nesta semana me ligaram oferecendo o rolo a R$ 98. Ou seja, não compro mais, fico sem, porque dá a impressão que nós estamos nos aproveitando de uma situação. E não é. E ainda estamos naquela situação de trabalhar com as portas fechadas. Penso eu que a fábrica não está dando conta e as distribuidoras se aproveitando de uma situação em que compra de outro fornecedor e vai jogando a margem em cima, o que vai virando um carretel sem fim”, expõe Davi.

O sócio-proprietário da Casa Jamil Armarinhos, Alexandre Nazin Wehbe, 45 anos, comenta que as fábricas estão superlotadas de pedidos. O elástico chega e já acaba em dois dias. Tecido, igualmente. Uma firma que ele está acostumado a comprar elástico, ligou nesta semana avisando que o pedido teria que ser cancelado, pois o que possuía em estoque precisou ser repassado ao governo, que tem prioridade. “Meu tecido está com o mesmo valor. Agora, o elástico fininho, que pagava R$ 9 o rolo, está R$ 16. O TNT, que eu conseguia por R$ 0,63 o metro, com frete grátis, pediram R$ 1,91 antecipado e com frete por minha conta. Enfim, estamos sem saída. Eles alegam que o que manda é a lei da oferta e procura”, frisa Alexandre.  

PELA DOAÇÃO,

ELA SE DOA

Em Santo Anastácio, Luciana Ariki Stelato, 42 anos, que desde o início da pandemia tem produzido máscaras para doação a pessoas que não podem comprar, continua com alta produção. Lembrando que como “pagamento”, ela pede produtos de higiene, limpeza ou alimento não perecível, que posteriormente destina a alguma entidade. Lá no início do isolamento social, Luciana já havia observado que os itens básicos para a fabricação do acessório de proteção já estava em falta.

“A única loja de tecido aqui da cidade já não tem mais faz tempo. Pedi pela internet, mas bem mais caro. Não tive opção, pois não quis parar com as trocas para doação. Elástico [que já usei uns 500 metros] virou joia. O primeiro pedido que fiz foi um preço justo, mas as demais compras já aumentou bastante o valor. Como forma de economizar um pouco, peço sempre quantidade grande para valer a pena o frete. Um ou outro isenta o valor, caso o preço da mercadoria seja alto”, destaca Luciana.

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