Prefeito não descarta rompimento de contrato com a Prudente Urbano

Segundo Ed Thomas, existe a possibilidade, uma vez que empresa não tem cumprido com a licitação; concessionária afirma dificuldades de um "desequilíbrio financeiro contratual"

PRUDENTE - ROBERTO KAWASAKI

Data 18/06/2021
Horário 14:34
Foto: Weverson Nascimento
 Diferentemente da última greve, que ocorreu no dia 26 de maio, os ônibus circulam de maneira parcial
Diferentemente da última greve, que ocorreu no dia 26 de maio, os ônibus circulam de maneira parcial

Na manhã de hoje, o prefeito de Presidente Prudente, Ed Thomas (PSB), concedeu uma entrevista coletiva em que afirmou que existe a possibilidade de rompimento de contrato com a concessionária  Prudente Urbano , responsável por administrar o transporte coletivo urbano na cidade. “Isso aí é uma vergonha que não é de hoje. Eu poderia pedir desculpas à população, mas é mais do que isso, é pedir perdão. Aquilo que começou errado só poderia chegar a esse ponto que chegou, infelizmente”, disse o chefe do Executivo. 

O serviço prestado pela empresa tem sido alvo de discussão por parte dos passageiros, que reclamam dos horários, quantidade de linhas e estado dos veículos, e também dos próprios funcionários, que entraram em greve devido aos atrasos salariais.

Conforme divulgado pela Semob (Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Cooperação em Segurança Pública), a concessionária alegou estar com os “cofres vazios”, o que impossibilita um acordo com os trabalhadores.

“Todas as tratativas com a empresa foram feitas, nós queremos o cumprimento do contrato, eles ganharam uma licitação, eles precisam ofertar para a população o melhor serviço”, afirma o prefeito. "Infelizmente, o transporte não é condizente com o povo de Presidente Prudente. Tudo foi feito, nós temos os relatórios, muita coisa foi pedida, nada foi atendido”, explica.

Ed Thomas ainda enfatiza sobre a questão do decreto que determina os ônibus a transportarem passageiros sentados em horários específicos.

 “Fizemos o decreto pensando na não aglomeração, para não ter a contaminação, pedindo para que transporte só passageiros sentados. O que aconteceu? Simplesmente, eles não colocaram ônibus. Deixando as pessoas pelo caminho”, lamenta.

A situação foi acompanhada pela reportagem, em um vídeo em que passageiros não entraram no veículo devido aos lugares estarem lotados. O que preocupa também é o fato de que a greve dos trabalhadores colocou somente parte da frota das ruas, sendo que outra permanece na garagem da empresa Prudente Urbano. 

Amparo jurídico

Enquanto o acordo não é estabelecido, o prefeito pretende tomar outra medida. “Às vezes pergunta: por que essa morosidade? Pela segurança jurídica. É um contrato, é uma licitação, que precisa ser cumprido. Mas chegou a um limite. A população não tem culpa, e menos culpa tem o motorista e o cobrador. Como é que você trabalha sem receber salário? Sem colocar comida dentro da sua casa? Nós precisamos entender que a greve deles é contra a empresa, e não contra o povo de Prudente”, expõe.

“[Existe a possibilidade de rompimento de contrato?]. É claro que sim, é lógico. É difícil pedir paciência para quem está sentado esperando um ônibus, mas a gente tem que ter segurança jurídica, eu preciso ter responsabilidade jurídica com os cofres da Prefeitura. É isso que nós estamos construindo, é isso que nós faremos hoje. Será feito com segurança jurídica, amparo jurídico. Seja primeiro para a população, seja para o trabalhador da empresa, seja para a Prefeitura, seja para todos”. 


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Terceiro dia de paralisação

A paralisação parcial do transporte entrou hoje para o terceiro dia. Diferentemente da última greve, que ocorreu no dia 26 de maio, os ônibus circulam de maneira parcial. Nos horários de pico, foi disponibilizada 50% da frota, sendo que nos demais períodos circula somente 35% dela. Porém, ontem, os veículos atrasaram a saída da garagem, para chamar a atenção da empresa a respeito da reivindicação de atraso salarial. 

“Eu acredito muito no diálogo. Nós buscamos isso desde o início, desde janeiro quando entramos, mas não fomos atendidos, ou a população não foi atendida praticamente em nada. Nós temos técnicos dentro da Semob com todos os relatórios, com tudo aquilo que já tinha acontecido o ano passado, e com o que está acontecendo nesses primeiros seis meses. É com esse embasamento que a gente vai buscar essa segurança judicial para entregar o melhor transporte para Prudente”, esclarece Ed Thomas, que ainda não estipulou um prazo para acionar a Justiça.

“É uma situação jurídica o mais rápido e o mais breve possível. Tem que ser feito, porque tudo foi esgotado, então, agora é esse amparo judicial, com o respeito a quem precisa do transporte público”. 

A reportagem procurou a Prudente Urbano e ofereceu um espaço para que a empresa pudesse se manifestar a respeito do cenário vivenciado. No entanto, não obteve retorno até o fechamento desta edição.

Na quinta-feira, a empresa já havia se manifestado e disse que tem agido para que os funcionários recebam seus salários, “com total transparência de acordo com suas receitas, conforme acordado em última audiência”.

“Apesar de todas as dificuldades, a empresa empenha total esforços para manter a operação do transporte coletivo municipal, serviço de caráter essencial, entanto, vivencia as dificuldades de um desequilíbrio financeiro contratual, sem medida efetiva por parte do poder público para reequilibra-lo garantindo a remuneração dos trabalhadores e o serviço aos cidadãos. Por fim, a empresa lamenta os transtornos”. 

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