No início da década de 1990, aproximadamente 1.300 policiais civis atuavam em Presidente Prudente e região. Atualmente, cerca de 700 policiais civis realizam o mesmo trabalho que era feito há cerca de 20 anos. Esse foi um dos principais fatores que motivou a manifestação realizada ontem pelos trabalhadores da categoria em frente à Delegacia Seccional de Presidente Prudente.
"O nosso principal objetivo é esclarecer à população sobre as dificuldades enfrentadas pela Polícia Civil na realização de seu trabalho, principalmente por conta dessa redução drástica no efetivo que atua na região", afirma Fábio Morrone, presidente do Sipol (Sindicato dos Policiais Civis da Região de Presidente Prudente). "Mesmo com as novas tecnologias, que realmente facilitam o trabalho, não tem cabimento essa redução tão grande no número de funcionários", completa. A realização de novos concursos é a principal solução apresentada para a ampliação do efetivo atuante na região.
De acordo com os policiais, a Delegacia Seccional funcionou normalmente durante o protesto, mas as outras unidades do município não funcionaram das 16h às 18h. Segundo eles, caso as reivindicações não sejam atendidas, a categoria avalia a realização de paralisações ou até mesmo de greves para chamar a atenção do governo do Estado.
Questionada a respeito da manifestação, a Delegacia Geral de Polícia Civil informa que "o movimento transcorreu de forma pacífica e sem prejuízo as serviços essenciais à população". Além disso, destaca que o efetivo teria sido reforçado com 1.667 policiais civis desde 2011 e que existem 2.301 vagas para novos policiais em concursos em andamento ou autorizados.
Com relação aos salários, a Delegacia Geral expõe que "foram concedidos três aumentos salariais, um reajuste acumulado de 36,59%, quase o dobro da inflação do período, que foi de 19,38%".
Novos ares
Outro ponto destacado durante a manifestação foi a reestruturação das carreiras dentro da Polícia Civil, para permitir que policiais mais jovens assumam posições de chefia. "É necessário oxigenar a estrutura da Polícia Civil, trazendo gente mais nova, pois há necessidade de renovação", destaca o delegado Celso Marques Caldeira. "A faixa etária média do policial civil é de 45 anos, pois há muito tempo faltam concursos para renovar esse pessoal", completa.
Outro fator que desestimula essa "oxigenação" da corporação são os "baixos salários" oferecidos no Estado de São Paulo. "O Estado deveria ser a locomotiva da nação e paga um dos piores salários do país aos policiais", completa.