"Um crime com uma crueldade exacerbada". Foram essas as palavras utilizadas pelo delegado Pablo Rodrigo França para classificar a maneira como foi morto o cabeleireiro prudentino Dênis Paiano da Silva, 29 anos. Ele estava desaparecido desde a madrugada de sábado e seu corpo foi encontrado na tarde de ontem, enterrado próximo a um canavial na zona rural do distrito de Eneida, em Presidente Prudente. De acordo com a Polícia Civil, o jovem foi morto com golpes de uma enxada e ainda teve parte de seu corpo queimado pelos autores. Quatro pessoas foram presas suspeitas de participação no caso, que é tratado como latrocínio e ocultação de cadáver.

Corpo do prudentino foi encontrado enterrado próximo a canavial no distrito de Eneida
Conforme o delegado responsável pelas investigações, Dênis foi rendido por dois dos detidos, um de 22 e outro de 19 anos, durante a madrugada de sábado, depois de sair de um evento de família. Ao ser abordado, o cabeleireiro chegou ir até seu apartamento com a dupla, mas logo deixaram o local.
Em depoimento à Polícia Civil, os detidos confessaram o crime e disseram que após deixar o apartamento da vítima seguiram no sentido ao distrito de Eneida, ainda com o cabeleireiro ao volante. Em determinado momento do trajeto, segundo o delegado, "o rapaz de 19 anos deu uma gravata no Dênis e o outro assumiu o controle do veículo". O jovem teria sido amarrado no banco traseiro e "a partir daí tiveram início as ameaças".
O delegado conta ainda que inicialmente a intenção dos suspeitos era praticar o roubo do veículo, mas que depois os planos da dupla teriam evoluído para um sequestro. "Eles contaram que queriam pedir R$ 20 mil à família pelo resgate dele", afirma Pablo França. No entanto, no trajeto até o canavial um dos detidos teria dito o nome do outro, "razão pela qual decidiram matar o Dênis", confirma o delegado.
Requintes de crueldade
Ainda conforme o delegado, com base nos depoimentos, quando chegaram ao local onde o crime ocorreu, a dupla amarrou o cabeleireiro e, enquanto um dos envolvidos cuidava dele, o outro seguiu pelas propriedades rurais localizadas nas áreas adjacentes em busca dos instrumentos para assassinar e ocultar o cadáver do jovem. Momentos depois ele retornou com uma enxada e uma escavadeira, além de uma vasilha com um líquido inflamável.
Foi quando um deles segurou o cabeleireiro e o outro começou a desferir os golpes com a enxada. Depois que a vítima já estava morta, a dupla ainda tentou atear fogo em seu corpo, mas depois decidiram enterrá-lo próximo ao canavial, ao lado de uma figueira. Segundo o delegado, o corpo foi encontrado na tarde de ontem, "depois de quase 30 horas após a confissão de um dos suspeitos, devido às contradições e à dificuldade de acesso ao local do crime".
Investigações
Pablo França considera as práticas dos crimes de latrocínio e ocultação de cadáver solucionados, já que os dois suspeitos teriam confessado os crimes. Mas agora as investigações seguem para identificar outros possíveis participantes, diretos ou indiretos, como, por exemplo, as pessoas que emprestaram as ferramentas utilizadas no homicídio. "Agora vamos apurar se essas pessoas tiveram a participação intencional ou não na prática", relata.