Planejamento pode diminuir riscos de inadimplência

Conforme SPC, 9,39% das pessoas jurídicas estão inseridas em cenário de endividamento e, destas, 17,16% estão no sudeste

PRUDENTE - IZABELLY FERNANDES

Data 20/11/2018
Horário 09:59
José Reis - Viviane utiliza planilhas para organizar finanças da empresa
José Reis - Viviane utiliza planilhas para organizar finanças da empresa

Ser um empreendedor requer planejamentos constantes. A necessidade aumenta quando ele se vê no cenário da inadimplência e precisa se reerguer para não perder a empresa para as dívidas. Conforme pesquisa realizada pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito), 9,39% das pessoas jurídicas brasileiras são inadimplentes. O valor aumenta quando o foco se volta somente para o sudeste, o qual 17,16% das pessoas jurídicas estão em dívidas. Das empresas devedoras no Brasil, 45% atuam no comércio, setor que registrou um aumento na taxa de inadimplência de 2,2%, seguido de um acréscimo de 9,4% do setor de serviços, e de 5,7% do setor de indústrias.

De acordo com o gerente regional do Sebrae (Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), José Carlos Cavalcante, para fugir desta situação, os empreendedores devem calcular de forma adequada a necessidade do capital de giro e o fixo para estabilizar a aquisição de ativos necessários para o negócio. “Principalmente para quem está começando, é preciso dimensionar essa necessidade”. Ele explica que, no caso de empresas que já estão consolidadas, é prioritário manter o fluxo do caixa atualizado, para sempre estar ciente das situações financeiras e prever sazonalidades. “Além disso, a empresa deve tomar precauções na hora de liberar créditos nas vendas a prazo e se cercar de todos os cuidados possíveis, pois se esse crédito for mal concedido pode gerar uma futura inadimplência”, explica.

Cavalcante adverte que uma desorganização financeira, seja do início de uma empresa ou em um local já firmado, pode levar o empreendimento ao fechamento. “Se um desequilíbrio financeiro for em valores relevantes e situações frequentes, a empresa pode perder poder de pagamento, correr o risco de aumentar o grau de endividamento e até mesmo a descontinuidade do local por falta de liquidez”, afirma.

Planejamento

O educador financeiro, Moisés Silva Martins, orienta que o lema de todo empreendedor é o planejamento. Seja ao criar a empresa, verificando se o produto a ser lançado vai ao encontro das necessidades do consumidor, adequar preço e qualidade e ajustar gastos e lucros; seja mantendo uma empresa já consolidada, se adaptando a novas gestões da economia federal. “Com o novo governo, por exemplo, os empresários devem entender que no ano de 2019, os dois primeiros meses são período de adaptação da população ao novo governo, por isso, vai comprar menos. Logo após, o consumo começa a aumentar e aí é hora de começar a produzir com mais incentivo”, explica.

“Uma desorganização financeira leva prejuízos da pessoa jurídica para a física”, aposta Moisés. Outro ponto que o educador financeiro destaca é que os empreendedores devem trabalhar somente com dinheiro próprio, para evitar endividamento com empréstimos bancários, por exemplo. “Para uma empresa estável, o empresário precisa ter mais de 50% de dinheiro próprio investido na empresa”, fala. Ele conta que um empreendedor paga cerca de 30% dos impostos dos produtos e isso também deve constar no planejamento. “Só é considerado empreendedor aquele que tenha ideias e produtos interessantes, mas, acima de tudo, que possua dinheiro próprio para produzir os produtos ou oferecer os serviços”, salienta.

Cavalcante orienta que, caso o empresário tenha se endividado, é necessário estabelecer uma negociação com os credores para analisar se há possibilidade de estender o prazo para pagamento das dívidas. “Equacionar as parcelas dentro da capacidade de pagamento da empresa também é uma das medidas a serem tomadas”. Outra opção é realizar um planejamento para tentar minimizar a situação da empresa.

Prevenção

A empresária Viviane Maria Souza Barbato, 33 anos, possui a empresa WF Injet Car desde 2011. Ela começou como MEI (microempreendedora individual) e há dois anos conseguiu estabelecer o local como uma empresa própria. Ela conta que depois de passar por uma capacitação do Sebrae, começou a adotar o uso de planilhas para controlar os gastos do local. “Eu anoto tudo que entra e sai, desde contas a pagar ou receber, até faturamento e caixa gerenciador”, conta. Ela diz que isso foi bom para que pudesse tomar decisões mais tranquilamente na gestão da empresa e também por conta da facilidade da plataforma. “No início eu ficava meio apertada, chegava a antecipar dinheiro no cartão de crédito para poder manter o ritmo daqui, mas agora ficou tudo melhor e consigo manter as finanças da empresa sempre organizadas”, acrescenta.

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