Pets: algumas raças têm tendência a desenvolver doenças cardíacas

Saiba quais são as enfermidades que acometem cães e gatos e a necessidade de um checape nos animais de estimação

PRUDENTE - Cassia Motta

Data 06/04/2025
Horário 10:15
Foto: Arquivo Pessoal
Exames realizados para detectar doença cardíaca nos pets
Exames realizados para detectar doença cardíaca nos pets

Assim como os humanos, os pets (animais de estimação) podem desenvolver enfermidades que afetam o coração. O médico veterinário Yudney Motta, de Presidente Prudente, especializado em cardiologia veterinária, explica que para o tutor identificar um pet com sintomas de doença cardíaca pode ser desafiador.

“Especialmente porque os sinais podem ser sutis e facilmente confundidos com outros problemas de saúde. Mas, alguns sinais clínicos mais comuns em doenças cardíacas são tosse persistente, cansaço e intolerância ao exercício, respiração difícil [dispneia], inchaço das patas e abdômem, desmaios ou tonturas, perda de peso e apetite”, detalha o especialista.

Principais doenças cardíacas

Yudnei cita as principais doenças cardíacas que afetam cães e gatos:

- Doença valvar crônica (endocardiose): comum em cães de pequeno porte e idosos, como poodles e yorkshire terriers. Segundo o veterinário, é caracterizada pela degeneração das válvulas cardíacas;

- Cardiomiopatia dilatada: afeta principalmente cães de grande porte, como dobermans e boxers. Nesta condição, de acordo com o veterinário, o coração se torna dilatado e fraco;

- Cardiomiopatia hipertrófica: essa é a doença cardíaca mais comum em gatos, onde o músculo cardíaco se torna anormalmente espesso, dificultando o bombeamento do sangue;

- Dirofilariose (verme do coração): é causada por um parasita transmitido por mosquitos, que se instala na artéria pulmonar e no coração. O médico explica que essa doença não é comum em nossa região, ela ocorre mais em regiões litorâneas.

Ainda de acordo com o veterinário, os pets podem tanto nascer com doenças cardíacas, quando desenvolvê-las ao longo da vida. “As doenças cardíacas em animais são classificadas em doenças cardíacas congênitas [presentes desde o nascimento] e doenças cardíacas adquiridas [que se desenvolvem com o tempo]”.

Raças mais suscetíveis

Algumas raças de pets, especialmente cães, são mais suscetíveis a doenças cardíacas do que outras, devido a fatores genéticos, predisposições anatômicas e características específicas da raça. Exemplo de algumas raças de cães que apresentam uma maior tendência a desenvolver doenças cardíacas e as razões por trás dessa predisposição:

- Cavalier king charles spaniel
Doença comum: endocardiose (doença da valvar crônica)
Esta raça, de acordo com o veterinário, tem uma alta predisposição genética para doenças da válvula mitral, uma condição em que as válvulas cardíacas não se fecham corretamente, levando à insuficiência cardíaca. “A endocardiose é uma das doenças cardíacas masi comuns em cães de pequeno porte e de idade avançada, mas nos cavalier king charles spaniels, pode começar a se manifestar muito cedo, já aos 4 ou 5 anos de idade”.

- Doberman pinscher
Doença comum: cardiomiopatia dilatada (CMD)
Os dobermans são uma das raças com maior risco de desenvolver cardiomiopatia dilatada, uma condição em que o músculo cardíaco se torna fraco e dilatado, resultando em uma função cardíaca comprometida. “A predisposição genética desempenha um papel significativo nessa doença, e muitos dobermans afetados podem não apresentar sintomas até que a condição esteja avançada”.

- Boxer
Doença comum: cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito (CAVD)

A CAVD é uma condição genética nos boxers em que o tecido muscular do ventrículo direito é substituído por tecido adiposo e fibroso, levando a arritmias cardíacas que podem resultar em síncope (desmaios) ou morte súbita. “A natureza hereditária dessa doença faz com que muitos boxers desenvolvam problemas cardíacos graves”.

- Poodle, lhasa apso, shih tzu e outras raças pequenas
Doença comum: doença valvar crônica (endocardiose)

Cães de raças pequenas como chihuahuas, poodles e dachshunds, são mais propensos a desenvolver problemas na válvula mitral devido à combinação de predisposição genética e envelhecimento. “Com o tempo, as válvulas cardíacas se degeneram, levando a problemas de fluxo sanguíneo no coração”.
O veterinário ressalta que muitos cães desenvolvem doenças cardíacas conforme envelhecem, especialmente em raças de pequeno porte com predisposição a doenças valvulares.

- Pastor alemão, golden retriever e outras raças grandes
Doença comum: cardiomiopatia dilatada

Embora menos comum do que em raças como o doberman, tanto o pastor alemão quanto o golden retriever podem sofrer de cardiomiopatia dilatada. “A causa pode ser genética, mas também pode estar relacionada à dieta e à deficiência de nutrientes como a taurina, especialmente no golden retriever”.

Checape

Assim como os humanos, os cães e gatos também se beneficiam de checapes cardíacos regulares, especialmente se pertencerem a raças com predisposição a doenças cardíacas, se forem idosos ou se já apresentarem sintomas de problemas cardíacos. Segundo o veterinário, a frequência desses checapes depende de fatores como a idade, raça, histórico de saúde e presença de sintomas. Ele exemplifica:

- Animais jovens e saudáveis
O exame cardíaco costuma ser realizado como parte dos checapes anuais de rotina.

- Raças predispostas a doenças cardíacas
Devem começar os checapes cardíacos mais cedo, geralmente a partir dos 3 a 5 anos de idade, mesmo que não apresentem sintomas. A frequência varia de 6 a 12 meses. Nesses casos, além da auscultação, devem ser realizados exames complementares como: ecocardiograma e eletrocardiograma. 

- Animais idosos (a partir dos 7, 8 anos)
Conforme os pets envelhecem, o risco de desenvolver doenças cardíacas aumenta, especialmente em raças pequenas, que têm maior probabilidade de desenvolver doenças das válvulas cardíacas. A avaliação cardíaca pode incluir radiografias de tórax para verificar o tamanho do coração, além de exames de sangue para monitorar a saúde geral. É necessário fazer uma vez a cada 6 a 12 meses.

- Animais com doenças cardíacas diagnosticadas
O médico veterinário pode recomendar visitas a cada 3 a 6 meses, dependendo da evolução do quadro. Nesses checapes, além de exames cardíacos, o veterinário ajustará a medicação, se necessário, e vai monitorar a progressão da doença.

EXAMES NECESSÁRIOS
Para diagnosticar a doença, o veterinário deve fazer os seguintes exames:

- Auscultação cardíaca: para detectar sopros ou ritmos anormais;
- Aferição da pressão arterial: para verificar a pressão sistêmica;
- Radiografias: para verificar o tamanho do coração e sinais de acúmulo de líquido;
- Eletrocardiograma (ECG)/Holter: para monitorar arritmias;
- Ecocardiograma: para avaliação detalhada da estrutura e função cardíaca; podem detectar precocemente alterações cardíacas.

Tratamento melhora qualidade de vida

O veterinário faz um alerta aos tutores. Se o pet começar a apresentar sintomas de problemas cardíacos, com tosse persistente, fadiga, dificuldade para respirar ou desmaio, é fundamental levá-lo imediatamente ao veterinário para um exame cardíaco completo. “Se o tutor preceber algum desse sintomas, é fundamental procurar atendimento veterinário o mais rápido possível. Muitas doenças cardíacas podem ser tratadas ou gerenciadas com medicações, dieta adequada e mudanças no estilo de vida do pet, aumentando significativamente sua qualidade de vida e longevidade”.

Fotos: Arquivo Pessoal

Yudney Motta, médico veterinário especializado em cardiologia veterniária

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