Assim como os humanos, os pets (animais de estimação) podem desenvolver enfermidades que afetam o coração. O médico veterinário Yudney Motta, de Presidente Prudente, especializado em cardiologia veterinária, explica que para o tutor identificar um pet com sintomas de doença cardíaca pode ser desafiador.
“Especialmente porque os sinais podem ser sutis e facilmente confundidos com outros problemas de saúde. Mas, alguns sinais clínicos mais comuns em doenças cardíacas são tosse persistente, cansaço e intolerância ao exercício, respiração difícil [dispneia], inchaço das patas e abdômem, desmaios ou tonturas, perda de peso e apetite”, detalha o especialista.
Yudnei cita as principais doenças cardíacas que afetam cães e gatos:
- Doença valvar crônica (endocardiose): comum em cães de pequeno porte e idosos, como poodles e yorkshire terriers. Segundo o veterinário, é caracterizada pela degeneração das válvulas cardíacas;
- Cardiomiopatia dilatada: afeta principalmente cães de grande porte, como dobermans e boxers. Nesta condição, de acordo com o veterinário, o coração se torna dilatado e fraco;
- Cardiomiopatia hipertrófica: essa é a doença cardíaca mais comum em gatos, onde o músculo cardíaco se torna anormalmente espesso, dificultando o bombeamento do sangue;
- Dirofilariose (verme do coração): é causada por um parasita transmitido por mosquitos, que se instala na artéria pulmonar e no coração. O médico explica que essa doença não é comum em nossa região, ela ocorre mais em regiões litorâneas.
Ainda de acordo com o veterinário, os pets podem tanto nascer com doenças cardíacas, quando desenvolvê-las ao longo da vida. “As doenças cardíacas em animais são classificadas em doenças cardíacas congênitas [presentes desde o nascimento] e doenças cardíacas adquiridas [que se desenvolvem com o tempo]”.
Algumas raças de pets, especialmente cães, são mais suscetíveis a doenças cardíacas do que outras, devido a fatores genéticos, predisposições anatômicas e características específicas da raça. Exemplo de algumas raças de cães que apresentam uma maior tendência a desenvolver doenças cardíacas e as razões por trás dessa predisposição:
- Cavalier king charles spaniel
Doença comum: endocardiose (doença da valvar crônica)
Esta raça, de acordo com o veterinário, tem uma alta predisposição genética para doenças da válvula mitral, uma condição em que as válvulas cardíacas não se fecham corretamente, levando à insuficiência cardíaca. “A endocardiose é uma das doenças cardíacas masi comuns em cães de pequeno porte e de idade avançada, mas nos cavalier king charles spaniels, pode começar a se manifestar muito cedo, já aos 4 ou 5 anos de idade”.
- Doberman pinscher
Doença comum: cardiomiopatia dilatada (CMD)
Os dobermans são uma das raças com maior risco de desenvolver cardiomiopatia dilatada, uma condição em que o músculo cardíaco se torna fraco e dilatado, resultando em uma função cardíaca comprometida. “A predisposição genética desempenha um papel significativo nessa doença, e muitos dobermans afetados podem não apresentar sintomas até que a condição esteja avançada”.
- Boxer
Doença comum: cardiomiopatia arritmogênica do ventrículo direito (CAVD)
A CAVD é uma condição genética nos boxers em que o tecido muscular do ventrículo direito é substituído por tecido adiposo e fibroso, levando a arritmias cardíacas que podem resultar em síncope (desmaios) ou morte súbita. “A natureza hereditária dessa doença faz com que muitos boxers desenvolvam problemas cardíacos graves”.
- Poodle, lhasa apso, shih tzu e outras raças pequenas
Doença comum: doença valvar crônica (endocardiose)
Cães de raças pequenas como chihuahuas, poodles e dachshunds, são mais propensos a desenvolver problemas na válvula mitral devido à combinação de predisposição genética e envelhecimento. “Com o tempo, as válvulas cardíacas se degeneram, levando a problemas de fluxo sanguíneo no coração”.
O veterinário ressalta que muitos cães desenvolvem doenças cardíacas conforme envelhecem, especialmente em raças de pequeno porte com predisposição a doenças valvulares.
- Pastor alemão, golden retriever e outras raças grandes
Doença comum: cardiomiopatia dilatada
Embora menos comum do que em raças como o doberman, tanto o pastor alemão quanto o golden retriever podem sofrer de cardiomiopatia dilatada. “A causa pode ser genética, mas também pode estar relacionada à dieta e à deficiência de nutrientes como a taurina, especialmente no golden retriever”.
Assim como os humanos, os cães e gatos também se beneficiam de checapes cardíacos regulares, especialmente se pertencerem a raças com predisposição a doenças cardíacas, se forem idosos ou se já apresentarem sintomas de problemas cardíacos. Segundo o veterinário, a frequência desses checapes depende de fatores como a idade, raça, histórico de saúde e presença de sintomas. Ele exemplifica:
- Animais jovens e saudáveis
O exame cardíaco costuma ser realizado como parte dos checapes anuais de rotina.
- Raças predispostas a doenças cardíacas
Devem começar os checapes cardíacos mais cedo, geralmente a partir dos 3 a 5 anos de idade, mesmo que não apresentem sintomas. A frequência varia de 6 a 12 meses. Nesses casos, além da auscultação, devem ser realizados exames complementares como: ecocardiograma e eletrocardiograma.
- Animais idosos (a partir dos 7, 8 anos)
Conforme os pets envelhecem, o risco de desenvolver doenças cardíacas aumenta, especialmente em raças pequenas, que têm maior probabilidade de desenvolver doenças das válvulas cardíacas. A avaliação cardíaca pode incluir radiografias de tórax para verificar o tamanho do coração, além de exames de sangue para monitorar a saúde geral. É necessário fazer uma vez a cada 6 a 12 meses.
- Animais com doenças cardíacas diagnosticadas
O médico veterinário pode recomendar visitas a cada 3 a 6 meses, dependendo da evolução do quadro. Nesses checapes, além de exames cardíacos, o veterinário ajustará a medicação, se necessário, e vai monitorar a progressão da doença.
EXAMES NECESSÁRIOS
Para diagnosticar a doença, o veterinário deve fazer os seguintes exames:
- Auscultação cardíaca: para detectar sopros ou ritmos anormais;
- Aferição da pressão arterial: para verificar a pressão sistêmica;
- Radiografias: para verificar o tamanho do coração e sinais de acúmulo de líquido;
- Eletrocardiograma (ECG)/Holter: para monitorar arritmias;
- Ecocardiograma: para avaliação detalhada da estrutura e função cardíaca; podem detectar precocemente alterações cardíacas.
O veterinário faz um alerta aos tutores. Se o pet começar a apresentar sintomas de problemas cardíacos, com tosse persistente, fadiga, dificuldade para respirar ou desmaio, é fundamental levá-lo imediatamente ao veterinário para um exame cardíaco completo. “Se o tutor preceber algum desse sintomas, é fundamental procurar atendimento veterinário o mais rápido possível. Muitas doenças cardíacas podem ser tratadas ou gerenciadas com medicações, dieta adequada e mudanças no estilo de vida do pet, aumentando significativamente sua qualidade de vida e longevidade”.
Fotos: Arquivo Pessoal
Yudney Motta, médico veterinário especializado em cardiologia veterniária