O jeito diferente de fazer a “diferença”

OPINIÃO - Roberto Mancuzo

Data 01/03/2022
Horário 06:00

Tem empresa por aí com o caixa cheio simplesmente porque alguém resolveu quebrar as regras. Numa linguagem bem coloquial, teve uma grande sacada. Acho que muitos empresários passam a vida à espera de um estalo, um insight, que faça a diferença. Só que não ousam e continuam vendo a vida passar.
As Havaianas perceberam em determinado momento que tinham um bom produto em mãos, mas que estava subaproveitado. Pensou um pouco e projetou vendas no mundo inteiro depois de associar o chinelo à cultura brasileira. Design fashion, uma bandeira brasileira na tira e o produto chega a ser vendido a 30 dólares no exterior. E aqui no Brasil, virou alvo dos consumidores das classes A e B, que até então não encaravam bem a sandália de borracha.
O Bradesco é outro exemplo. Em 1999 começou a oferecer serviços de provedor de internet gratuitos para aumentar a base de clientes. Aumentou e muito e se antes tinha como consumidor apenas as classes A e B, hoje vende seus serviços para todas as classes.
E ainda tem empresa que investe pesado para inovar. A Ericson chegou a montar no interior de São Paulo um centro de pesquisa e desenvolvimento de ideias, trabalhando com projetos saídos de universidades de todo país. Ou seja, cedo ou tarde, eles descobrem alguma coisa boa e recuperam fácil o investimento.
Enfim, empresas que mudaram o rumo e estabeleceram objetivos viáveis para seus negócios estão colhendo lucros e mais lucros. E objetivo é fundamental para quem quer entrar na onda das inovações. Mude o foco, vá além. 
Primeiro é fundamental encontrar o benefício real do negócio. Por exemplo, quem pensou que por trás do serviço, hoje simples, de telefonia celular estava o fato e a necessidade das pessoas se comunicarem está lucrando. Não está cheio de celular por aí se conectando à internet? Quem falou que aquele aparelhinho serviria para tanta coisa, até para falar? E espera para ver após o início da televisão digital de fato.
Além de benefício existem ainda outros dois fatores que podem ser explorados: primeiro, atenção aos clientes ocultos. Volto a dar o exemplo, operadoras que enxergaram que telefone celular não é coisa só de gente grande, apostaram firme no mercado adolescente e acertaram em cheio. O outro fator é dar condições para inovação ser usada pelo cliente. Não adianta apresentar novos conceitos e esperar que o usuário também trabalhe. Ele quer tudo na mão.
O empresário que quer inovar deve desmanchar da cabeça as ortodoxias da indústria, o passo-a-passo burocrático. Olhar também para descontinuidade, não se conformar, e principalmente conhecer o negócio e saber até onde ele pode ir. A prática da inovação é, antes de tudo, uma atitude empreendedora e pode acontecer tanto em uma grande empresa quanto na pequena. Basta pensar e querer.
 

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