O primeiro encontro se deu com as mãos. Pele na pele, cruzadas e tensas porque eram a primeira vez que finalmente se tocavam sem formalidade alguma. Os dedos se tocavam e se reconheciam, apertavam-se uns contra os outros e tateavam o caminho para nunca mais se soltarem.
Enquanto as mãos brincavam de se conhecer, veio o encontro dos olhos, que não foi lá tão inédito assim porque havia tempo que os olhares se buscavam e viviam entre a tensão de não serem correspondidos e a alegria da reciprocidade.
Mas foi engraçado notar que quando finalmente puderam ficar frente a frente, eles simplesmente fugiam, danavam-se a escorregar para os lados. Se pudessem virariam ao contrário. Quanta vergonha adolescente, mas tudo bem, vai: olhar dentro do olho de outro alguém nesta condição requer maturidade na relação, coisa que futuros amantes ainda não têm, com certeza.
E enquanto uma brisa suave de outono soprava naquele dia, também foram se encontrando depois das mãos e dos olhos, os gostos, as vontades e os desejos, as incertezas, as alegrias e os medos.
Não houve beijo, mas foi melhor. Teve um momento em que os rostos se tocaram e havia tanta magia neste ato que a galera lá do céu, que sempre assiste às novelas terrenas e torce em momentos assim, se animou e se preparou para a apoteose da noite: o encontro das almas.
Houvesse uma forma de traduzir em imagem quando uma alma se encontra e se reconhece com outra, penso que seria um brilho intenso, luzes que se espalham e modificam tudo ao redor. Luzes que prenunciam a paz e que curam porque não raro representam um encontro que coloca fim a uma série de desencontros.
Minha linda Maria, Pablo Neruda diz que quando dois corpos se encontram e se reconhecem, o universo se encolhe para caber neles. E eu não tenho dúvida do quanto o poeta está certo. Temos tudo em nós, tudo que precisamos para encontros diários até o fim de nossas vidas.