Na próxima semana, o MPE (Ministério Público Estadual), em conjunto com o MPF (Ministério Público Federal) e a Defensoria Pública do Estado de São Paulo começará a percorrer as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do maior município do oeste paulista. O objetivo da força-tarefa é detectar possíveis carências do serviço público municipal de Saúde. A intenção dos representantes dos órgãos é visitar todos os postos e ao final, ter em mãos um relatório que aponte os fatores a serem incrementados. Um dos questionamentos a serem elucidados pela equipe é se as unidades estão aptas a absorver as demandas atribuídas a elas, já que o Estado alega que 70% dos pacientes que chegam ao pronto-socorro do HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo poderiam ter sua situação cuidada pela rede básica municipal. Ao menos no que diz respeito à capital regional, a comissão avaliará o fato.

Estado alega que 70% dos pacientes que vão ao HR poderiam ser atendidos em UBS
De acordo com o promotor de Justiça, Mário Coimbra, a equipe formada por ele, pelo procurador da República, Tito Lívio Seabra, e pelo defensor público, Matheus Assad João, analisarão os serviços com olhar de usuários. A ideia agora, segundo Seabra, é fazer uma avaliação global abrangendo desde o que tange à disponibilidade de equipamento até o que diz respeito à quantidade de profissionais em atividade nos locais. A análise se dará ainda pelo contato tanto com médicos quanto com pacientes. "Queremos saber o que o SUS tem ou não agregado a nosso território. Se as UBSs estiverem cumprindo o seu papel de maneira adequada, ótimo. Senão, veremos o que é preciso para melhorar", diz Coimbra.
Questionado sobre as possíveis providências que serão tomadas frente ao resultado das visitas às unidades de saúde, o representante do MPF prefere não se adiantar. "É cedo para falarmos sobre isso. Precisamos entender primeiro o que de fato ocorre na rede, quais os tipos de inadequações, enfim, ter dados mais precisos para então fazermos um diagnóstico seguro que embase nossas decisões", coloca.
O defensor público diz que seu órgão de representação não poderia deixar de colaborar com a ação, já que tem sentido diariamente, em seu atendimento jurídico, a insatisfação dos usuários com a prestação de alguns dos serviços de saúde. O defensor busca a definição de regras mais claras no atendimento. "Queremos detectar os responsáveis por determinadas falhas", declara. Seabra fala sobre a parceria que, ele espera, trará resultados efetivos para a população. "Já atuamos outras vezes em conjunto e essa soma de esforços é sempre muito importante", considera.
Município
Por meio da Secom (Secretaria Municipal de Comunicação), a Prefeitura de Prudente informou que possui 38 postos de saúde e de ESF (Estratégia Saúde da Família) que exigem investimentos que chegam a R$ 3 milhões por mês. Além disso, informa que está em fase de licitação ou de construção as sedes dos ESFs dos bairros Maré Mansa, Bela Vista, Leonor e Maracanã. A pasta aponta a presença de inúmeros profissionais para suprir a demanda dos cidadãos. "As UBSs têm clínicos gerais, pediatra, psiquiatra, ginecologista e médico da família para os ESFs. Têm também psicólogo, enfermeiros, assistente social, fisioterapeuta, odontologista, entre outros", lista. Em nota, a secretaria ainda aponta dezenas de procedimentos que estão à disposição da população, como retirada de pontos, passagem de sonda vesical, exame de análise clínica e ainda acompanhamentos e orientações. Isto sem falar no atendimento oferecido nos PAMs (Pronto Atendimentos Municipais).
Mesmo com todo este aparato, em recente reportagem publicada em
O Imparcial, o titular da SMS (Secretaria Municipal de Saúde), Sérgio Luiz Cordeiro de Andrade, falou sobre a "preferência" das pessoas pelo HR. Na opinião do secretário, os pacientes procuram pelo hospital e não pelas UBSs porque "têm pressa e querem tudo na hora". Na ocasião, ele destacou que nas unidades é preciso marcar consulta e agendar exames, procedimentos que "a população não quer fazer".
Opinião
A aposentada Maria Soares de Moura, 74, concorda com o secretário. Apesar de na quinta-feira ter optado por ir direto ao hospital sem nem mesmo passar por um PAM, ela diz que não tem problema algum em esperar por atendimento no posto de saúde. Explica que só foi ao hospital, porque na UBS do Guanabara não encontrou sua medicação. "Se o médico é bom eu não ligo se preciso aguardar, afinal, nós temos que investir em saúde, não só dinheiro, mas também tempo. Contudo, não é difícil encontrar pessoas reclamando da demora nas salas de espera das unidades", comenta.
Já Zenaide Batista da Silva, 48, está na lista dos pacientes que vão direto ao hospital. "Na UBS tudo é muito trabalhoso, tem que agendar, demora. Fui ao posto com uma alergia, eles disseram que eu tinha que marcar um horário com o médico para ver o que era. Então, vim para o hospital, fui diagnosticada com intoxicação alimentar e já tomei os remédios", conta.
Bruna Dayane Moraes tem um filho de 2 anos e diz que utiliza os serviços oferecidos nas UBSs e nos PAMs, mas não pensa duas vezes quando a situação é urgente. "Venho direto para cá . No posto não tem estes equipamentos mais avançados, então sei que dependendo da situação nem adianta ir para lá", fala.