Modo crise

OPINIÃO - Walter Roque Gonçalves

Data 05/12/2020
Horário 04:30

Em 2020, começamos o ano com boas expectativas de recuperação. Contudo, em março, veio o balde de água fria: o novo coronavírus desencadeou o medo e ativou o modo crise. A curva de crescimento das riquezas produzidas no país teve uma queda vertiginosa à época: investidores recuaram, trabalhadores foram demitidos e empresas levadas à falência. O auxílio emergencial, a abertura de empréstimos, os juros baixos, a redução de jornada e a valorização das exportações ajudaram a minimizar os efeitos da pandemia.
Quanto a 2021, economistas como Ricardo Amorim, Samy Dana, Carolina Barros e Sergio Vale ajudam a entender melhor os possíveis cenários para o próximo ano. Alguns pontos nas opiniões destes economistas chamam a atenção, principalmente quando se destaca o tema voltado para retomada do crescimento. Finda-se 2020 melhor do esperávamos. Em abril, falava-se em queda de até 10% do Produto Interno Bruto e agora os economistas projetam a metade disso, algo em torno de 4,8%. 
Os resultados promissores têm sido gerados pela injeção de dinheiro que o governo fez na economia através do auxílio emergencial, pelo socorro às empresas e a redução de jornada remunerada. Outros fatores como os juros baixos, o agronegócio, a área de construção e o comércio fizeram a diferença, esses setores têm trabalhado mesmo sem uma solução definitiva para a pandemia. Por outro lado, setores como de turismo e de serviços em geral sentem muito mais. Segundo o economista Sergio Vale, este setor impacta fortemente nos resultados, pois é responsável por 75% do PIB.

O governo entra no próximo ano ainda mais endividado e precisará provar que é possível manter a economia equilibrada

Portanto, o setor de serviços precisa se recuperar para destravar o crescimento do país! Assim que as vacinas começarem a imunizar a população, as expectativas para 2021 melhorarão muito. Importante observar que o auxílio emergencial, hoje entregue para mais de 65 milhões de pessoas, é finito; haverá redução considerável na circulação deste recurso para o próximo ciclo. E, por fim e não menos importante, o governo entra no próximo ano ainda mais endividado e precisará provar que é possível manter a economia equilibrada. Com isso, a agenda fiscal para 2021, segundo Vale, será determinante para desativar o modo crise no nosso país.  



 

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