Jesus caminheiro na direção da cruz 

OPINIÃO - Saulo Marcos de Almeida

Data 23/03/2021
Horário 04:30

Se um grão de trigo não for jogado na terra e não morrer 
ele continuará a ser apenas um grão. João 12.2

O texto de hoje faz menção histórica e espiritual aos últimos momentos da vida de Cristo e à penosa caminhada na direção da cruz, antes de seu sofrimento, dor e paixão. 
Para o início da travessia que necessitava fazer, consciente de que era chegada sua hora/tempo, Jesus orienta seus discípulos preparando-os para a realidade de luto/perda que deveriam viver naqueles dias. Pedro chama o mestre à parte para repreendê-lo, no estado mais puro de seu conhecido temperamento, e diz: Que Deus não permita, Senhor. Isso jamais te acontecerá! Cristo de imediato o reprova severamente: Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não pensas nas coisas de Deus, mas dos homens! Insiste na pregação desse anúncio fúnebre. Os discípulos são tomados de grande tristeza!
É preciso nos discursos do Mestre, feitos ao longo do penoso caminho, ver a morte e a vida como dimensões complementares e não antagônicas. Elas são irmãs.  Assim, conclui que sofreria escárnios, açoites e crucifixão, mas que no terceiro dia haveria de ressuscitar.
               O amor é como um grão. Morre nasce trigo, vive e nasce pão. 
No momento seguinte estando em casa de Simão, o leproso, com amigos, ele aceita o gesto sensível de uma mulher em forma de adoração e respeito. Ela lhe derrama um bálsamo precioso sobre a cabeça. Os discípulos ficam escandalizados com a ação e tentam deslegitimar tal atitude justificando-a: Para que este desperdício? Pois este perfume podia ser vendido por muito dinheiro e dar aos pobres. Jesus, então, revela o significado simbólico daquele rito, como a unção do seu corpo, preparativo honroso para a sua morte.
Mais um pouco, na festa da páscoa com todos os discípulos, fala sobre a traição que haveria de sofrer. Não é curioso que Cristo tenha ceado com o seu algoz em torno de uma mesa, lugar de alegria e comunhão? Mais uma vez reafirma sua ressurreição e conclui a ceia/eucaristia: pão é meu corpo; vinho é o meu sangue em favor do homem e da mulher.
No derradeiro momento reúne os seus três mais íntimos amigos/discípulos no jardim do Getsêmani - precisa de companheiros nas combalidas horas de dor e sofrimento. Mas esses são incapazes de vigiar em favor do amigo Jesus. O mestre os encontra dormindo, deprimidos. Quer acorda-los para o enfrentamento da dura realidade que haveria de chegar, mas é inútil tal procedimento. Os guardas chegam e Ele é preso. 
A partir de sua prisão ele enfrenta o impiedoso e sumário julgamento, com direito às mãos lavadas de um governador romano, juízo desumano dos homens da religião, abandono dos discípulos e pedido veemente do povo: mata esse homem, crucifica, crucifica!
Assim dá-se início à via dolorosa de Jesus na direção da sua paixão, sofrimento e morte. Período importante no calendário da cristandade (católico e protestante) em que os evangelhos convidam à participação nos ritos dessa dura passagem de Cristo entre os seres humanos. 
Jesus, caminheiro sofrido que lá vai indo na direção da cruz! 
 

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