Isolamento vertical no Brasil, ainda existe alguma dúvida?

Jogi Humberto Oshiai

COLUNA - Jogi Humberto Oshiai

Data 21/04/2020
Horário 07:05

Esta foto foi tirada pelo italiano Corrado Formigli às 15h de sábado, 18 de abril passado, nas margens do rio Isar, no coração de Munique, na Alemanha. É uma imagem que serve para tirarmos uma série de observações em relação ao Brasil. Antes de tudo, constatamos na foto que não há idosos e, quase com certeza, tampouco os mais frágeis e vulneráveis ao Covid-19. As pessoas estão agrupadas em famílias. Os demais mantêm a distância social. Em resumo, os cidadãos se autorregulam com base no senso de responsabilidade. A presença da polícia é muito discreta ao ponto de não aparecer nem mesmo um na foto. Como isso seria possível no Brasil, especialmente, ao comparar com as imagens que vimos da polícia do estado de São Paulo massacrando nossos compatriotas que estavam sozinhos – sentada no parque, caminhando na praia, e voltando do trabalho - nos últimos dias?

Temos conhecimento de que a Alemanha administrou bem a contaminação. Hoje, 19/4, existem mais de 144.348 pessoas contaminadas e o total de mortes é de 4.547 enquanto que aqui na Bélgica com uma população 8 vezes menor atingimos hoje 38.493 contaminados e 5.683 mortes. A idade média dos doentes na Alemanha é muito menor do que na Itália ou Espanha. Segundo especialistas, este fato é devido à peculiaridade da sociedade alemã em que os jovens vão morar sozinhos bem mais cedo e frequentam pouco os idosos tendo assim contato físico muito menor, com esta parcela da população vulnerável, que na Itália ou Espanha. O ponto que nós latinos condenamos nos nórdicos europeus – frieza - acaba se tornando um elemento positivo nesta crise. Além disso, o alto número de exames realizados em tempo hábil possibilitou o mapeamento rápido do território e o isolamento mais eficaz das pessoas contaminadas. Para fazer muitas análises, a Alemanha aproveitou um plano de pandemia bem organizado e excelentes estoques de reagentes químicos que faltaram na Itália e Espanha.

O mesmo vale para os dispositivos de proteção distribuídos ao pessoal de saúde, e para os respiradores, abundantes na Alemanha, onde existem alguns dos fabricantes mais importantes de ventiladores de pulmão no mundo. A tudo isso, acrescento que antes da contaminação, a Alemanha possuía cinco vezes mais os locais de terapia intensiva que na Itália (com uma população de uma vez e meia superior a italiana), número que aumentou ainda mais durante a epidemia. Em suma, os alemães nunca chegaram perto de ter esgotado os cuidados intensivos, como, infelizmente, aconteceu especialmente na Lombardia (Itália). Vale salientar que as empresas alemãs nunca foram fechadas e os parques sempre foram mantidos à disposição dos cidadãos, respeitando as regras do isolamento social.

Sem querer adicionar elementos para aumentar a polêmica no tema, antes de condenar o Presidente Bolsonaro e o novo Ministro da Saúde assim como atribuir aos dois uma  eventual explosão do contágio e o número de mortes no Brasil,  devemos considerar a nossa cultura e os estudos científicos em andamento, estudar e, principalmente, não dar ouvidos aos cientistas sisudos e políticos oportunistas, para entender um pouco melhor sobre nós mesmos com vistas a combater de forma unida o Covid-19 no âmbito de nossa possibilidade econômica, financeira e, sobretudo, cultural.

Eu continuo batendo na mesma tecla sobre a necessidade de tentar um isolamento vertical antes mesmo de ler o seguinte comentário técnico, no mês de março passado, do meu ex-colega de governo  Inacio Afonso Kroetz, durante governo petista, ex-Secretário do SDA/MAPA:  "Se exagerar na quarentena, cuja eficácia é discutível no País, em breve a maior vítima será o próprio Sistema de Saúde Pública! Quarentena vertical (estou no grupo de risco) é mais racional e factível, mas precisa consciência para isso. Não importa classe social, o vírus é bem democrático.” 

Portanto, meus caros conterrâneos, não sejam inocentes úteis, utilizem máscaras e luvas, lavem as mãos sempre que necessário e  voltem as atividades com os olhos bem abertos levando em consideração que não faltam oportunistas de plantão tentando lhes manipular 24 horas por dia !

 

Publicidade

Veja também