Inquérito do MPE investiga morte de hipopótamo

Representantes do parque e da Prefeitura terão que apresentar laudo à Promotoria do Meio Ambiente em prazo de 10 dias

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 02/03/2017
Horário 08:18


A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente, em Presidente Prudente, instaurou ontem um inquérito para investigar as circunstâncias da morte da Tata, hipopótamo fêmea do zoológico do Parque Ecológico Cidade da Criança, ocorrida na manhã de sábado. De acordo com o promotor André Luis Felício, em reunião na tarde de ontem, na sede do MPE (Ministério Público Estadual), o secretário municipal de Turismo, Adauto Lucio Cardoso, e o gerente de operações do parque, Milens Belonci, se comprometeram a apresentar em 10 dias o laudo que aponta as causas da morte do animal. Por outro lado, a Secom (Secretaria Municipal de Comunicação) informa que o veterinário contratado para fazer a necropsia, o patologista Osimar Sanches, constatou que houve uma torção gástrica, ou seja, "o intestino virou em seu próprio eixo".

Jornal O Imparcial Promotor André Felício também está preocupado com Toicinho, filho da falecida Tata

"Nada foi encontrado no fígado, rins e baço. Descartada a possibilidade de pneumonia e os exames laboratoriais sairão dentro de 10 dias", frisa a Secom. Já o promotor pontua que, com base no laudo completo sobre a morte de Tata, poderá analisar o mesmo e então chamar o veterinário que atendeu o caso para confirmar as informações colhidas. "Aí vamos ter condições de ver se tinha tratador ou não, se precisava de um veterinário em tempo integral ou somente um biólogo bastava, pois cada tipo de zoológico tem uma exigência diferente em relação à presença de profissionais da área. Tudo isso vai ser tratado no inquérito instaurado hoje ", relata Felício.

Jornal O Imparcial Eder da Silva foi tratador da hipopótamo Tata, durante 3 anos, na Cidade da Criança

O promotor ainda se diz preocupado com o filho de Tata, Toicinho, que nasceu no parque em 2012 e agora é o único de sua espécie no recinto. "Tem a questão da tristeza, da solidão, então, quero saber quais são as providências que o parque vai tomar em relação a esse animal, que vai ficar sozinho agora. Além de ser a mãe, a Tata era um animal da mesma espécie que fazia companhia", frisa. "Dependendo do que especialistas da área indicarem, vamos cobrar medidas e avaliar se serão suficientes para que o Toicinho não sofra ainda mais. Apesar de não ficar no mesmo tanque, havia um contato, mesmo que pouco, então, o filho vai sentir a ausência da mãe", complementa. Sobre a possibilidade de um novo animal ser trazido para fazer companhia a Toicinho, o secretário de Turismo informa que tal possibilidade será avaliada após a resolução do caso com o MPE.

 

Solidão


A morte de Tata é contestada pelo seu antigo tratador, Eder Junior da Silva, que cuidou da hipopótamo por três anos, quando então teve que deixar o parque no ano passado, quando o Ciop (Consórcio Intermunicipal do Oeste Paulista) assumiu a administração do local. Foi quando, conforme Eder, todos os tratadores de animais, pelo menos 15 pessoas, além de biólogos, veterinários e zootecnistas, foram dispensados. "De lá para cá só recebi queixas sobre os cuidados com a Tata e o Toicinho. Me identificava muito com eles, e um animal de 4 mil quilos, como a Tata, que era a atração do parque, morrer assim. É um descaso", frisa.

No entanto, o gerente de operações do parque, em nome do Ciop, explica que todos os funcionários do local foram convidados a prestar o concurso que selecionaria os funcionários para atuar no espaço, já que o consórcio só atua desta forma. "Portanto, aqueles trabalhadores que saíram foram substituídos pelos que passaram no concurso. Hoje, 99% dos tratadores são estudantes de Biologia ou Medicina Veterinária, ou seja, são qualificados para tal", comenta Milens. "Em nenhum momento os animais sofrem maus-tratos. Eles têm um cardápio balanceado e são acompanhados por profissionais capacitados", pontua.

 

 
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