Hospitais de Prudente realizam 9.295 mamografias em 2021

Uma redução de 8,97%, se comparado ao ano anterior, pode ser por vários fatores, principalmente por conta da pandemia

REGIÃO - DA REDAÇÃO

Data 06/03/2022
Horário 08:10
Foto: AI / HE
Rafael ressalta que o câncer de mama é multifatorial, ou seja, não tem causa única
Rafael ressalta que o câncer de mama é multifatorial, ou seja, não tem causa única

Já se passou um mês, 5 de fevereiro, da data em que é marcada pelo Dia Nacional da Mamografia, um exame importante para a prevenção, detecção precoce e controle do câncer de mama. Exatamente pelo grau de importância, trata-se de um assunto que deve ser lembrado muitas vezes dado a gravidade da doença que acomete milhares de mulheres, e alguns homens também, todos os anos, por todo o mundo. Segundo levantamento do DRS (Departamento Regional da Saúde) 11, em 2021, foram realizados 9.295 exames de mamografia: 6.097 na Santa Casa de Presidente Prudente, 3.101 no HR (Hospital Regional) Doutor Domingos Leonardo Cerávolo de Presidente Prudente. E em outubro, o HE (Hospital de Esperança) implementou o exame tendo realizado até dezembro, 97. Uma redução de 8,97%, se comparado ao ano anterior quando o HR fez 5.482 exames e a Santa Casa 4.730, totalizando 10.212 mamografias, 27 a mais que em 2021.

Diminuição pode ser por vários fatores, como menos mulheres da região buscando a cidade para fazer o exame, menos mulheres cumprindo com o preventivo anual, menos capacidade de atendimentos nos hospitais.

O DRS explica que em 2021, em função do atendimento aos pacientes de Covid-19, o Hospital Regional, por exemplo, reduziu os procedimentos eletivos, afetando o número de exames. Em 2022 o fluxo foi normalizado. 

Para falar a respeito com mais detalhes e conceitos médicos, O Imparcial conta com a contribuição do mastologista Rafael Sá, que integra o corpo clínico dos hospitais citados e docente da Faculdade de Medicina da Unoeste (Universidade do Oeste Paulista).

De acordo com o médico, a partir dos 40 anos, a mamografia de rastreamento (paciente assintomática), deve ser realizada anualmente, conforme orientação da Sociedade Brasileira de Mastologia e Colégio Brasileiro de Radiologia, que segue os principais protocolos internacionais.

Possibilidade de tratamento

Rafael Sá diz que o diagnóstico precoce, que é a investigação de tumores em fase inicial (menores que 2cm-centímetros) e axila negativa, possibilita tratamento menos agressivo e com maior chance de cura. “É a estratégia que todos os países desenvolvidos como Estados Unidos da América e os europeus utilizam há muitos anos com sucesso e redução da mortalidade”, afirma ele.

Segundo Rafael, o autoexame tem a sua importância. Entretanto, não deve substituir o exame de mamografia. “Tumores pequenos tendem a não ser palpáveis. Pode ser realizado durante o banho mensalmente e para as mulheres que menstruam, realizar durante o período menstrual”, salienta.

Sinais suspeitos devem ser observados e merecem atenção. O mastologista orienta que se perceber nódulos endurecidos, lesões na pele da mama, lesões na aréola ou mamilo e secreção mamilar sanguinolenta procurar o atendimento médico o quanto antes.

“Mas calma! Alguma das lesões percebidas pela paciente podem ser benignas e necessitam da correta avaliação do mastologista”, pondera.

Câncer da mama: principais causas

Rafael ressalta que o câncer de mama é multifatorial, ou seja, não tem causa única. E explana os fatores de risco que são: tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e obesidade. “Algumas pacientes com histórico familiar podem ser portadoras de mutações deletérias de genes específicos e têm o risco aumentado ao longo da vida. A principal faixa etária é após a menopausa”, cita.

Cenário é complexo

Geralmente ouve-se dizer que mulheres com casos de câncer de mama na família devem iniciar o exame preventivo mais cedo.

Rafael destaca que este cenário é complexo. Isso porque o especialista necessita de uma avaliação individualizada desta paciente e sua família. Se realmente constatado o alto risco familiar, como parentes de primeiro grau com diagnóstico de câncer de mama ou ovário, câncer de mama masculino ou câncer de mama bilateral, “o rastreamento deve iniciar cerca de 10 anos antes que o parente que teve câncer mais jovem, com exames de imagem específicos”.

“Aqui o rastreamento chamado de alto risco familiar e suas possíveis medidas profiláticas deve ser realizado cuidadosamente com o mastologista!”, exclama o especialista.

Prevenção

Conforme o DRS-11 (Departamento Regional de Saúde), segundo as diretrizes, para a detecção precoce do câncer de mama, o exame de rastreamento é indicado para mulheres de 50 a 69 anos. Já os casos de rastreamento de risco são indicados a partir de 35 anos e caso a mulher apresente alguma alteração mamária.

Também é possível agendar o exame pelo callcenter (0800-779-0000), disponível de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. Nesse caso, o exame é feito num dos mais de 200 serviços de mamografia fixos do SUS (Sistema Único de Saúde) paulista, como AME (Ambulatório Médico de Especialidades), hospitais e clínicas.

 

 

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