Guerra na Ucrânia

OPINIÃO - Walter Roque Gonçalves

Data 26/02/2022
Horário 04:30

Em linhas gerais, as guerras estão ligadas à geopolítica, ou seja, ao poder econômico, político e ao domínio de terras e seus recursos. É lamentável o que passam civis, pessoas comuns que se veem no meio do conflito e carregam a angústia da realidade gerada pelas incertezas destes conflitos. Muitos procuram refúgio nos países vizinhos e outros simplesmente não têm para onde ir. Muitos pagam com as próprias vidas. O Brasil está livre do fogo cruzado do campo de batalha, mas evidentemente terá que enfrentar consequências indiretas para a economia do país!
A guerra é sinônimo de incertezas e estas mudam o comportamento dos investidores. Com medo do que vem pela frente, o dinheiro que circula nas bolsas de valores pelo mundo começa a migrar para investimentos mais seguros, como: dólar, papéis americanos e ouro. Este movimento irá frear a entrada de dólares no Brasil, com isso há a valorização da moeda frente ao real. Produtos que dependem de insumos importados tendem a subir seus preços. 
A Rússia e a Ucrânia são responsáveis por 14% da produção mundial de trigo. A expectativa de que poderia faltar este alimento no mundo é o suficiente para os preços subirem subitamente. Neste mesmo caminho, estão o milho e a soja que já sentem a pressão. Quanto aos fertilizantes, o Brasil é dependente e importa da Rússia cerca de 85% do consumo interno, fato que levou o presidente da República a uma reunião com Vladimir Putin recentemente. O adubo que vem de lá é responsável pela matriz de custos e produtividade dos agricultores brasileiros, gerando mais pressão inflacionária.
O aumento do preço do petróleo tem efeito na origem da formação de preços dos produtos e serviços, pois é dele que são geradas as embalagens, tintas, combustível para termoelétricas e de uso massivo nas indústrias, agricultura e transporte. O aumento deste insumo pressiona, e muito, a inflação. Portanto, aumento de preços de produtos e desaceleração do crescimento do país é fato que parece consumado neste cenário. 
Como em todas as guerras e crises há oportunidades, produtos que não utilizam derivados de trigo podem evidenciar, da mesma forma, as lavouras de trigo, milho e soja brasileiras. É hora de se posicionar diante da insanidade desta guerra. Como dizia o filósofo francês, Paul Valery: “A guerra é um massacre entre gente desconhecida, para proveito de conhecidos, mas que não se massacram”.
 

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