Com o tema “Formação e mercado de trabalho”, o Condef (Conselho Municipal da Pessoa com Deficiência) realizou na manhã de ontem o 8º Fórum Municipal da Pessoa com Deficiência, em Presidente Prudente. O evento contou com a participação de 116 inscritos, entre deficientes, órgãos públicos e comunidade em geral. A ocasião, que ocorreu na Sala de Cinema Condessa Filomena Matarazzo, do Centro Cultural Matarazzo, teve o intuito de promover a inclusão do público no ambiente acadêmico e no quadro de empregados das empresas.
No evento, os participantes discutiram as possibilidades de capacitação e inserção do público deficiente no ensino superior, bem como sua atuação no mercado de trabalho. O assunto ainda está “caminhando a passos lentos”, de acordo com a presidente do Condef, Evelyn Monique Cavalheri Nogueira. Segundo ela, a inclusão ainda não é total, pois “as empresas precisam participar mais e dar mais oportunidade às pessoas com deficiência”. Acrescenta que as instituições de ensino superior também “não estão totalmente preparadas”, passando por uma fase de adaptação.
“Falta que os tabus sejam quebrados e que os deficientes sejam vistos como pessoas que merecem uma oportunidade e que também precisam estar inseridos na sociedade”, complementa Evelyn. Para ela, o público também está começando a buscar mais informações e, principalmente, seus direitos, para garantir seu espaço.
Inclusão
Além de palestras e bate-papo, o encontro também teve relatos de pessoas que venceram as barreiras da deficiência. Uma delas foi a vendedora Edineusa Souza Garcia, 41 anos, que possui um filho autista e contou como foi para ele conseguir cursar uma graduação em Jogos Digitais, em que se tornou o terceiro melhor aluno da sala. “As escolas públicas não aceitavam meu filho, então, foi muito difícil. A faculdade possui um parâmetro maior de inclusão. Está sendo uma troca entre eu, meu filho e os professores, pois não estavam acostumados. Assim, aprendemos juntos”, declara.
Formada em Secretariado Executivo Trilíngue e com MBA em Gestão de Negócios, a deficiente visual Fabiana Oliveira Barros Anjos, 35 anos, também participou do fórum para se atualizar sobre as informações do mercado de trabalho e acadêmicas. Conta que, na época de estudos, tudo era novo e precisou se adaptar sozinha, pois a faculdade ainda não tinha estrutura para atendê-la. “Muitos professores quiseram só me dar as notas e eu não aceito isso e ninguém deveria aceitar. Caso contrário, sempre seremos vistos como ‘coitadinhos’”, relata.
A aposentada Terezinha de Jesus Pinto, 55 anos, possui deficiência física desde os oito meses, quando teve paralisia infantil. No entanto, relata que o problema não a impediu de trabalhar e, por isso, considera importante o fórum, para que os colegas saibam sobre os benefícios da profissionalização. “Faz bem trabalhar, pois aumenta a autoestima e você se sente útil na sociedade. Falta muito no mercado de trabalho, principalmente, as empresas verem os deficientes como qualquer outro”, opina.