Fala, gambá!

Sandro Villar

O Espadachim, um cronista a favor da tuba e do tubo

CRÔNICA - Sandro Villar

Data 23/02/2025
Horário 05:30

Não é pra me gambá. Assim brincava o cronista Stanislaw Ponte Preta, fazendo um trocadilho com a expressão não é pra me gabar, que significa vangloriar-se, jactar-se ou ostentar os próprios méritos, sejam eles reais ou não.
Mas o que interessa nesta narrativa deste aristocrata, charmoso e sofisticado cronista (podem rir) é o animalzinho chamado gambá, famoso por seu cheiro desagradável. E quem bebe além da conta é chamado de gambá. "Está bêbado como um gambá", costuma-se dizer Brasil afora. 
É uma injustiça ao gambá, que, ao que se saiba, só bebe água e não a água que tico-tico não bebe. Deixemos de enrolação e passemos a palavra ao ilustre gambá. Sim, Serafim, aqui os bichos também falam e o gambá, com justiça, pede a palavra. 
Oi, turma de O Espadachim, meu nome é gambá, mas podem me chamar de sariguê. Peço que me deixem em paz, já que estou trabalhando e caçando todos os dias os animais peçonhentos que possam existir em sua propriedade, principalmente os escorpiões.
Sou capaz de suportar até 80 mordidas de cascavel ou cobra coral. Graças a mim existe um antídoto contra o veneno de cobra. Eu me alimento de frutas, ratos, escorpiões, insetos, pequenas cobras e muito mais. É importante saber o seguinte: também como carrapatos e não transmito raiva.
Eu sou seu amigo, não me mate e não me prejudique. Não deixe seus cachorros me fazerem mal. Muitas vezes levo meus bebês em minha bolsa, mas você não pode vê-los. Não me assuste que vou embora. Se você quiser ser meu camarada, me dê umas frutas.
Me tratando bem você também trata bem o meio ambiente porque sou um bom semeador de sementes. Além disso, também te protejo de animais peçonhentos que poderiam te fazer mal. Eu não sou mau e só quero a sua proteção. Não me prejudique. Sou seu amigo. Assinado, o gambá. Grato ao O Espadachim e também ao O Imparcial (na pessoa do Sinomar), que publica esta coluna onde os bichos também falam.   

DROPS

Era tão sortudo que dizia-se que ele tinha nascido com a nádega virada para o satélite natural da Terra.

Longe vão os tempos dos bons tempos.

Tempos sombrios sem sombra e água fresca.

Nem tudo que brilha é brilhante.

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