Fala Guizão: “Cara, eu vir jogar no Laguna foi um desafio, né? Por ser o primeiro time vegano das Américas, o segundo do mundo. É um tabu, né, no futebol...”, inicia o defensor, que foi campeão da divisão de acesso do Potiguar.
Em 2026, o Laguna jogará a Série D, a Copa do Brasil e a pré-Copa do Nordeste. E sobre jogar em um time que não tem proteína animal na dieta? “Você chegar hoje e falar para alguém que você está jogando em um time de futebol vegano, num primeiro momento chega a ser motivo de chacota, de piada. Acham que é brincadeira. Mas não. E eu, enquanto jogador, eu vi muita diferença, muita diferença. Muitos benefícios de estar jogando no Laguna e ter uma dieta 100% vegana dentro do clube. Eles não impõem isso”, ressalta o zagueiro, Guilherme Bernardino.
O atleta de 22 anos pontua que “o jogador não tem que ser vegano na vida, mas dentro do clube é importante seguir as diretrizes, então, não entra com nenhum produto dentro do alojamento se não for vegano. E cara, tem muitos benefícios”, diz Guizão, que se recuperou de uma lesão grau 2 no retrofemoral de sete centímetros por quatro.
“Então, eu acho que a recuperação é muito mais rápida. Mais rápida que quando começou o Campeonato Potiguar logo na pré-temporada da primeira divisão eu tive uma [lesão] grau 2 no retrofemoral de sete centímetros por quatro. Então foi uma lesão muito grande e eu seguindo a dieta vegana eu percebi que a recuperação foi muito mais rápida: o que era para ser de seis a oito semanas, eu com cinco semanas já estava em campo de novo. Em questão de digestão de você treinar de manhã tem uma alimentação que é a base de planta. Sabe, eu acho que a recuperação melhora muito comparado à alimentação normal que eu digo questão de carne, frango, que a gente também sabe que é importante né”.
“Não teve uma mudança drástica, não, em termos de resultado, em termos de preparação física. Às vezes perguntam, mas e a proteína? Falta a proteína, porque na cabeça do brasileiro a proteína está na carne, no frango e no ovo, né? Mas não, tem a proteína da soja também, porque claro, tem que comer um pouco mais porção para igualar a proteína animal, né? Mas isso tudo com acompanhamento da SVB, que é a Sociedade Vegetariana do Brasil”.
Guizão finaliza: “A gente é muito bem instruído, em quantidade, em porções, enfim. E a gente acaba tendo um ganho normal, sabe? De, como se fosse uma alimentação normal, só que com o benefício principal. Principal da recuperação, entendeu? Então, achei bem interessante, bem importante, tanto é que quando eu machuquei, eu falei com o staff do clube, eu segui 100% a dieta vegana, 100% dentro do alojamento, enfim, e foi muito benéfico para mim. Eu acho que varia de pessoa para pessoa, mas eu, atleta, me senti muito bem com a dieta do clube. Em primeira vista, assim, foi um susto, né? Por não ter carne, por não ter churrasco, essas coisas, mas foi uma coisa que me beneficiou muito, principalmente na questão da lesão”.