Esperança, recomeço e Pentecostes

OPINIÃO - Saulo Marcos de Almeida

Data 25/05/2021
Horário 05:00

Creio no calor do Espírito que preserva toda a força e a esperança do Reino de Deus dentro de cada coração. 

Já foi dito que a diferença do ser humano para todo o reino animal está na capacidade de se diferenciar da natureza e recriá-la à sua maneira, sobretudo, por meio do trabalho consciente e criativo ao longo da existência. 
O animal é o seu corpo, dotado de capacidade biológica para adaptar-se ao meio, sobreviver ao mundo que lhe é hostil e suprir, assim, as suas necessidades, eminentemente orgânicas. Por mais bonita que seja a organização das abelhas, a espécie está fadada a repetir, sem consciência alguma, o que gerações passadas de abelhas fizeram ao longo de todo o tempo. 
De maneira diversa, o homem tem o corpo que o insere no mundo, histórica e subjetivamente, dando-lhe entre outros atributos o sentido da vida. Está superada a leitura, apenas racional do homo sapiens,  tantas vezes desumano. 
Contudo, diferentemente das abelhas que repetem por gerações o labor da produção do mel, o ser humano recusa-se a perpetuar a espécie apenas reproduzindo o que seus antecessores fizeram. Assim, negam ser o que seus pais foram, resistem à ideia de que as tradições precisam ser mantidas, transgridem fatos sociais que visam a perpetuação e, sobretudo, criam o novo, sempre!
Todavia, a capacidade de transcender o real/concreto, sentir-se convocado a construir o futuro e nutrir a esperança ao longo da vida - ainda que em meio às intempéries e adversidades do tempo – são atributos únicos do ser humano, demasidadamente humano. Esperança nesse sentido como força intrínseca para a realização de uma finalidade. 
Conhecedor de sua obra maior, Deus sabe quem Ele criou. Por isso sustenta o ser humano e a vida ao longo da história, sempre por meio de um recomeço. Consciente de que o homem não é simplesmente empurrado pela força do biológico e nem tão pouco seu destino é a apatia misturada à ausência de sentido. Entretanto,  obedece à convocação da vida que acena para o futuro e que nos convida à realização a partir do tempo chamado hoje. 
Assim, os cristãos do mundo todo no último domingo celebraram e responderam afirmativamente à festa de Pentecostes, que acontece 50 dias depois da ressurreição de Jesus Cristo. 
Na Páscoa, o elemento simbólico principal é o pão ázimo, sem fermento, a indicar o tempo de dificuldade extrema e travessia sofrida de um povo na escravidão. No Pentecostes, vive-se a festa das colheitas e dos grãos: trigo e cevada para a feitura do pão a indicar tempos bons e generosos: água, terra, fogo e ar!
Nesse tempo de Pentecostes, a indicar a mão de Deus em toda a criação, Ele reinicia a vida e garante a alegria da festa ao soprar o vento como moradia interior de todos nós: o Espírito Santo. 
Desce sobre povos distintos e os ajunta sob uma única linguagem: a do amor oferecido em forma de recomeço e esperança de uma nova vida! 
Convoca o homem/mulher em plena construção de sua humanidade à criação de gestos de solidariedade, tolerância com os diferentes, inclusão dos que nada possuem e despertamento da espiritualidade na direção do Cristo ressuscitado. 
 

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