ESG na Campanha da Fraternidade de 2025?

OPINIÃO - Fernando Batistuzo

Data 01/04/2025
Horário 05:00

Estava eu na Igreja domingo passado quando, ao ver o cartaz da Campanha da Fraternidade deste ano, ocorreu-me a seguinte pergunta: teria o ESG chegado à “Igreja”?
A dúvida surgiu pelo lema da campanha, que é o seguinte: “Fraternidade e Ecologia Integral - Deus viu que tudo era bom”. 
Desconfiado, fui ao site da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e, bingo! Bom, na verdade, senão um “bingo!”, pelo menos um “tô na boa”, pois tudo leva a crer que sim, que o ESG chegou à Igreja, ou como mostro adiante, talvez sempre tenha estado nela.
Como esta coluna aborda há mais de dois anos a temática ESG, já expliquei, mas não custa lembrar, que a sigla significa Meio ambiente (E), questões Sociais (S), e Governança (G), e que o ESG surgiu no âmbito da ONU/Pacto Global há uns 20 anos justamente com a proposta de estimular as empresas a, visando o lucro, desenvolverem-se (para que o planeta se desenvolva do mesmo jeito) de modo sustentável.
Logo, a questão ambiental, “ecológica” (como expressamente menciona a campanha), é comum ao ESG e à Campanha da Fraternidade deste ano, mas não só deste pois como o próprio site da CNBB afirma, a ecologia esteve presente em oito campanhas ao longo da história (“preserve o que é de todos”; “Terra de Deus, terra de irmãos”; “Por uma terra sem males”; “Água fonte de vida”; “Fraternidade e Amazônia”; “Fraternidade e a vida no Planeta”; “Casa comum, nossa responsabilidade”; “Fraternidade: biomas brasileiros”). Por isso que eu disse que o ESG talvez sempre tenha estado na Igreja, mesmo que expressamente esta talvez nunca tenha adotado expressamente aquela sigla.
E não é de estranhar que a temática ecológica e ambiental seja o ponto em comum entre as campanhas – e porque não dizer entre a Igreja – e o ESG, pois o subtrato em comum entre ambos, o que os sustenta (no ESG tanto no critério ambiental como social) é a solidariedade (fraternidade).
Independentemente da religião, da crença, da fé professada por qualquer indivíduo, é fato que o valor (no sentido filosófico) fraternidade está presente em várias religiões, sobretudo cristãs (amar o próximo), e que não há como impedir o colapso do planeta se a humanidade (inclusive as empresas) não se unir em prol do bem comum que é manter um planeta ecologicamente saudável. 
O cartaz da campanha deste ano, com São Francisco de Assis e a Cruz ao meio, a natureza de um lado e a cidade do outro, mostra bem – pelo menos aos católicos - a conexão entre todos estes elementos, uma vez que, também segundo o site da CNBB, a ecologia reaparece na presente campanha como “Ecologia Integral”, inclusive espiritual, abrangendo os elementos materiais da natureza em relação aos quais a sua utilização pela humanidade deve ser orientada para a “salvação dos seres humanos e de todas as criaturas”, até porque, após a criação, “Deus viu que tudo era muito bom” (Livro de Gênesis).
Ao contrário do que alguns pensam e afirmam, o ESG (e aqui não tem nada a ver a questão “woke”) e a “Igreja” não proíbem ou deixam de estimular o lucro; apenas - em face de um possível e terrível futuro que se vislumbra e que já é sentido – exortam a que se busque e alcance o lucro de modo lícito e sustentável, e não às custas da degradação ambiental e social.
Será que só sendo Deus para ver como tudo é muito bom?!

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