Em operação “minuciosa”, fóssil de dinossauro é removido da Etec para caminhão com destino ao RJ

Peça que foi encontrada em 2013, entre o município de Alfredo Marcondes e o distrito prudentino de Floresta do Sul, estava na escola técnica desde 2022

PRUDENTE - MELLINA DOMINATO

Data 14/11/2024
Horário 10:39
Foto: Maurício Delfim Fotografia
Peça foi içada por um caminhão Munck e colocada em um caminhão-baú da UFRJ
Peça foi içada por um caminhão Munck e colocada em um caminhão-baú da UFRJ

“Uma operação delicada, minuciosa, pois é um material pesado, de cerca de uma tonelada, envolta em gesso”. Assim foi definida a ação realizada no início da manhã desta quinta-feira, de remoção do fóssil da cintura pélvica de um dinossauro saurópode, de aproximadamente 1 metro no eixo anteroposterior e 2 metros de largura, da sede da Etec (Escola Técnica Estadual) Prof. Dr. Antonio Eufrásio de Toledo, antigo Colégio Agrícola, em Presidente Prudente, pelo diretor da instituição, Thadeu Henrique Novais Spósito. A peça foi içada por um caminhão munck e colocada em um caminhão-baú, que veio especialmente para buscá-la e levá-la ao Rio de Janeiro, onde será exposta no MGeo (Museu da Geodiversidade) da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). A partida ocorreu por volta das 8h30.

“Precisamos conscientizar a comunidade escolar em um todo que todo achado é importante, desmistificar essa história que um achado embarga sua terra, não pode mais cultivar e que as terras vão para o governo. Esse fóssil faz parte da nossa história”, comenta Thadeu, que abrigou na Etec, desde 2022, a peça que foi encontrada em 2013, em uma expedição coordenada pela professora do campus Fundão da UFRJ, Lilian Paglarelli Bergqvist, com seus alunos, no solo de uma fazenda prestes a ser preparado para o plantio de batata-doce, entre o município de Alfredo Marcondes e o distrito prudentino de Floresta do Sul.

“A peça trouxe uma importância para a escola, uma visibilidade, um cenário que se criou, trouxe essa cultura. A gente aprendeu com esse fóssil a importância de se preservar, de se comunicar com as autoridades competentes quando há um encontro de um material dessa magnitude. Então, foi de suma importância para a parte educacional”, comenta o diretor da Etec.
“Queríamos muito que a peça ficasse aqui, no Museu de Ciência Natural que está sendo montado, mas a gente entende que houve um financiamento do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico] e, infelizmente, tivemos que acabar mandando a peça embora”, complementa Thadeu.

Em solo carioca
Já no Rio de Janeiro, o planejamento, conforme Thadeu, é de remover o gesso da parte de baixo da peça e colocar fibra de vidro. Em seguida, analisar como inverter o fóssil para remover o gesso do outro lado e cobrir novamente com fibra de vidro para poder transportá-lo, em pé, para passar pelas vitrines até o local onde ficará exposto.

Como noticiado neste diário, a preparação do fóssil para a viagem estava sendo feita na Etec desde julho, quando um preparador e dois pesquisadores da UFRJ vieram a Prudente para dar início aos trabalhos. Em 2022, uma operação foi realizada pela escola técnica para a retirada da peça, fragmento de um dinossauro de 500 quilos e 2,3 metros de envergadura, do local onde foi encontrado, para transferência até a sede da instituição, onde permaneceu guardado. 

A partir de julho deste ano, o material passou a ser retirado do gesso, com o qual foi revestido ainda em 2022, com foco na preservação, por pesquisadores e alunos, sob a coordenação do professor do Campus de São Gonçalo, da UERJ, André Piacentini Pinheiro. Para o transporte, o fóssil foi novamente revestido a fim de garantir sua viagem em segurança.

Fotos: Maurício Delfim Fotografia
Peça foi içada por um caminhão Munck e colocada em um caminhão-baú da UFRJ

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