A preocupação com a obesidade infantil não se detém somente aos problemas de saúde e estéticos, mas também às consequências psicológicas que a condição pode trazer. Na infância e na adolescência, o excesso de peso pode provocar certos prejuízos que podem comprometer até a vida social do jovem. Isso, conforme a psicóloga Ana Paula dos Santos Fonseca, pode ser demonstrado através da baixa autoestima, não aceitação do próprio corpo, busca por métodos radicais para emagrecer como deixar de comer, "dietas malucas", anorexia, bulimia, além da busca de um padrão ideal para aceitação na sociedade e fixação em perder peso. Ansiedade, depressão e falta de amor próprio também figuram na lista.

Ana Paula, psicóloga: "Obesidade é um problema grave e deve ser encarado com seriedade"
"A obesidade é um problema grave e deve ser encarado com seriedade por aqueles que acompanham a criança ou o adolescente", ressalta a profissional. Explica que, na maioria dos casos, os que sofrem da obesidade infantil podem se sentir excluídos. "Hoje, ser magro é fazer parte de uma sociedade que determina o que é bonito e como se fica bonito, assim relacionando o fato de ter o corpo ‘ideal’ à sua felicidade, ao fato de ser bem-sucedido e, assim, vencedor", conta.
Ana Paula destaca que, além de se considerarem "feias" e não serem aceitas, em diversos casos, desde pequenas, por grupos de amigos, seja na escola ou em outros ambientes que levam em consideração a aparência e o peso, em determinados casos, encontram nesta situação a presença de atitudes ligadas ao bullying, o que impede a criança ou o adolescente, por exemplo, de realizar certas atividades físicas ou não querer frequentar lugares públicos.
Importância do diálogo
A psicóloga declara que, em casos de problemas decorrentes da obesidade infantil, a melhor forma dos adultos ajudarem é conversando com o jovem, de maneira clara e sem julgamentos. "O diálogo vai possibilitar ao responsável entender melhor o que envolve o ganho de peso. A observação dos hábitos da criança ou adolescente, bem como da própria família, também ajuda muito", considera. Ainda afirma que é importante demostrar sensibilidade diante dos sentimentos que envolvem a vergonha do peso em excesso. "Ajude-o a focar nos objetivos. Procure orientação de profissional adequado, como um endocrinologista, nutrólogo, nutricionista e um psicólogo. E sirva de bom exemplo no quesito alimentação saudável", promove.
"Por fim, jamais use apelidos considerados ‘carinhosos ou brincadeiras de família’ que remetam a este jovem a momentos pejorativos relacionados a seu peso ou forma de se alimentar. Lembrem-se que casos de obesidade podem estar relacionados a fatores totalmente diferentes uns dos outros: alimentação errada, problemas hormonais, genética, busca em baixar o grau de ansiedade, entre outros", pontua Ana Paula.