Comércio de alimentos enfrenta dificuldades

Técnico administrativo da Ceagesp informa queda de 70% na demanda de mercadorias e supermercados apresentam estoques limitados

PRUDENTE - GABRIEL BUOSI

Data 26/05/2018
Horário 12:14
Marcio Oliveira - Estoque de frango em um dos supermercados deve durar até hoje e gera preocupações
Marcio Oliveira - Estoque de frango em um dos supermercados deve durar até hoje e gera preocupações

O cenário encontrado ontem na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) de Presidente Prudente era o de baixa movimentação de fornecedores e, consequentemente, o de compradores. A situação, em efeito escala, foi motivo de preocupação por parte dos supermercados, que apresentam baixo estoque ou a falta de produtos oriundos do entreposto. Restaurantes também encaram dificuldades para comprar os alimentos e atender o público.

Conforme o técnico administrativo da Ceagesp, Thiago Pereira da Silva, de quinta-feira para sexta-feira, a situação ficou ainda mais grave, já que em dias comuns a companhia recebe cerca de 200 toneladas de alimentos, que caíram para 100 toneladas na quinta e chegaram a 70 toneladas ontem. “Alguns produtos que não são produzidos na região já faltam em diversos supermercados. A batata, cebola, cenoura e o chuchu, por exemplo, não chegam mais aqui e são uns dos mais procurados”, lembra. Dentre os alimentos que ainda eram fornecidos até ontem estavam hortaliças, legumes e o tomate.

Thiago lembra, no entanto, que a lista de produtos em falta tende a aumentar e afirma que a situação de “colapso” não está pior devido à baixa procura por compradores que se deslocam da Nova Alta Paulista e leste do Mato Grosso do Sul até Presidente Prudente. “O caos só não ocorreu antes por causa da ausência desses compradores vindo de outras regiões, mas a partir de segunda-feira já esperamos algo bem pior. Acreditamos que teremos apenas 30% dos produtos”.

 

Reflexos nas gôndolas

Segundo o gerente do Supermercado Pastorinho, Ângelo Tadeu, o abastecimento de frango é o fator que mais preocupa no local, já que o produto em estoque no mercado comportaria o atendimento ao público até hoje. “O frango vem da região de Marília [SP] e a mercadoria está parada nas estradas. Mesmo assim, não aumentamos os preços ou limitamos a quantidade por pessoa, mas isso nos preocupa e muito”, acrescenta.

Já no Supermercado Nagai, da Avenida Brasil, os setores afetados pelas manifestações foram o das frutas, verduras, carne de frango, carne suína e pães industrializados. “Temos certa quantia de carne vermelha, mas não demora muito para acabar. Isso traz prejuízos aos caixas do supermercado, mas, mesmo assim, não aumentaremos os valores ou repassaremos esse prejuízo”, informa o gerente Júlio Cesar Peres.

Por falar em prejuízos, o proprietário do Garden Restaurant, Paulo Meirelles, lembra que precisou desmarcar uma festa para 60 pessoas na quinta-feira, visto que 30 delas vinham de São Paulo e preferiram não arriscar a viagem por causa das paralisações na estrada. “Fora isso, a preocupação com os alimentos, mesmo em estoque ainda, já começaram, pois um dos meus fornecedores já informou o atraso na entrega e aumento nos valores”, comenta. O abastecimento de carnes e produtos que compõem a cesta básica não apresenta preocupação ao proprietário até o momento. “O movimento já caiu 20%, pois as pessoas não saem mais de casa para economizar o combustível”, lembra.

Já no H2 Chopp, a preocupação do gerente, César Augusto, está justamente no abastecimento dos produtos alimentícios, já que há dificuldade, por exemplo, em encontrar batata, que “sai muito” no local, bem como a carga de picanha, que estava prevista para ser entregue nesta semana, o que não ocorreu. “Temos em estoque, mas não dura muito. Financeiramente ainda não trouxe prejuízos, mas é algo que nos preocupa”.

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