A Prefeitura de Presidente Prudente, representada por meio da Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) e VEM (Vigilância Epidemiológica Municipal), apresentou as ações que tem realizado desde o início de 2025 para prevenção e combate à dengue durante reunião pública organizada pela Frente Parlamentar em Defesa da Saúde, da Câmara Municipal, na manhã desta terça-feira.
Os dados foram expostos por duas enfermeiras da Sesau, Gisele Orrigo e Daniele Borsari, que elencaram uma série de medidas adotadas para assistir aos munícipes neste período de calamidade.
Conforme Gisele Orrigo, Prudente conta com 33 portas de entrada para o SUS (Sistema Único de Saúde) e, desde os primeiros casos de 2025, "esses locais têm sido preconizados e tratados com atenção", buscando "o trabalho fundamental da prevenção, o diagnóstico precoce, o atendimento médico de qualidade e o encaminhamento adequado, seguindo todos os critérios do Ministério da Saúde".
Para atender a população durante a alta dos casos, no dia 24 de fevereiro foi inaugurado o Apoio à Dengue, no Cohabão. Em 24 dias de atendimentos, a Sesau registrou 5.182 consultas médicas, 3.191 pedidos de hemogramas e 89 pacientes encaminhados para uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Quatro enfermeiros foram contratados emergencialmente para atender a demanda do local.
A enfermeira Daniele Borsari comentou que aproximadamente 70% da população prudentina é dependente do SUS, ou seja, utiliza o Sistema Único de Saúde para suprir suas demandas. Entre fevereiro e março, a UPA do Ana Jacinta realizou 11 mil atendimentos, desse total, 22% foram relacionados à dengue. No mesmo período, a UPA do Guanabara realizou 17 mil assistências, sendo 16% para sintomas de dengue.
“A grande quantidade de pessoas que foram vistas nas unidades de saúde, nos últimos meses, é reflexo do protocolo moroso do atendimento à dengue, que demanda tempo. É um paciente que fica por muitas horas na unidade, passa por muitos setores”, ressaltou Daniele.
A enfermeira ainda elencou algumas das medidas adotadas pela administração, como a sala de hidratação criada na UPA do Guanabara, plantões, horas extras e ampliação de equipes.
Na sequência, Elaine Bertacco, supervisora da VEM, comentou algumas ações que têm sido promovidas para o enfrentamento da dengue, como a instalação das ovitrampas, armadilhas para coletar ovos do mosquito Aedes aegypti. Foram 99.272 ovos em 2024 e mais 80.631 em 2025. A coleta ocorreu em aproximadamente 500 residências em cada ano.
“Outro fator preocupante e que tem contribuído para os casos mais graves é a reintrodução do sorotipo 2, registrado no fim de 2024 e agora em 2025”, apontou Bertacco.
A diretora do GVE (Grupo de Vigilância Estadual), Ana Paula Lagisck, destacou que a cobertura vacinal contra a dengue em Prudente está em 27% para a primeira dose e 11% para a segunda, bem abaixo do esperado. A população contemplada, que é de 10 a 14 anos, está estimada em 12.736. Com a primeira dose, foram vacinados 3.480 jovens.
Segundo a diretora, o Estado tem colaborado com o envio de recursos, formações e capacitações profissionais. Um dos assuntos mais abordados, a nebulização, também foi tratado pela profissional.
“A nebulização ambiental é o último recurso que devemos adotar. Esse serviço é para quando não há mais outras possibilidades. O veneno não entra nas casas das pessoas diretamente. Tem que ter a sorte do mosquito estar voando naquele momento. Então, é o último reforço”, afirmou.