Apresentado ao mundo em 1972, no primeiro LP duplo do país, e consi derado o melhor disco brasileiro de todos os tempos, a história de um dos marcos culturais da MPB, ganha versão teatral e na tela, com direção de Dennis Carvalho. Um espetáculo sobre amizade, sobre um movimento artístico que entrou para história. O Clube da Esquina trouxe um som inovador e transformador. O movimento conseguiu juntar em suas músicas diversas referências artísticas, de diferentes partes do Brasil e do mundo, e fazer algo bem distinto do que era produzido musicalmente na época. Segundo o diretor, o “Clube da Esquina – Os sonhos não envelhecem”, que chega a Anhumas neste sábado, é um musical brasileiro que também mostra a história de nosso país.
Baseado no livro “Os Sonhos não envelhecem – Histórias do Clube da Esquina”, de Márcio Borges, o musical fez sua turnê presencial. O”Clube da Esquina – Os sonhos não envelhecem” teve sua temporada presencial no Sesc Palladium / Belo Horizonte. A evolução musical e a amizade dos integrantes do movimento estão presentes nos 120 minutos do musical.
Responsável pela adaptação e dramaturgia do livro de Márcio Borges, a dramaturga Fernanda Brandalise, de 27 anos - a mesma idade dos jovens retratados na peça - revela que, “Clube da Esquina – Os sonhos não envelhecem” é uma história verídica. Um grupo de jovens, em Minas Gerais, sonhava em mudar o mundo com música. O espetáculo fala de como surgiu o Clube da Esquina, fala sobre amizade e poesia, fruto da esperança inabalável de que a arte pode transformar o mundo em algo melhor.
Na banda há seis instrumentistas, dirigidos musicalmente por Alexandre Kassin. Para o espetáculo foram escolhidas 25 canções, entre elas “Cais” (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), “Para Lennon e McCartney” (Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant), “Trem Azul” (Lô Borges e Ronaldo Bastos), “Tudo que Você Podia Ser” (Márcio Borges e Lô Borges) e outras.
Radicado na Europa há mais de oito anos, Tiago Barbosa voltou ao Brasil para interpretar Milton Nascimento. “É um caminho difícil para um ator brasileiro e negro ser reconhecido, falar com outros grandes atores de igual para igual. Mas quando vi que se tratava do Clube da Esquina, eu não pensei duas vezes, voltei para o Brasil. Sinto-me honrado e privilegiado por representar Milton Nascimento, esse artista de voz ativa, único negro do Clube da Esquina. Ele sempre foi um guerreiro”.
O elenco foi escolhido em etapas online e presencial. As audições receberam atores e atrizes de todo o país, sendo 16 selecionados para o musical. São vários personagens, em cena, todos reais: Lô, Márcio e Marilton Borges, Beto Guedes, os letristas Fernando Brant e Ronaldo Bastos, o pianista Wagner Tiso, Robertinho Silva, Naná Vasconcelos, Elis Regina, a atriz francesa Jeanne Moreau, entre outros.
Referendado no livro de Márcio Borges, “Os sonhos não envelhecem – Memórias do Clube da Esquina”, mostra a potência da música mineira, fundamental para construção da identidade de nosso país e de nossa cultura. O Clube da Esquina é respeitado mundialmente como um dos mais importantes movimentos artísticos dos últimos tempos.