O aniversário de um rei
Sabem quem soprou velinhas sexta-feira? Simplesmente o rei do futebol, Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, nascido em 23 de outubro de 1940 em Três Corações, Minas, completou 75 anos. Beleza de data! Se pudesse pedir a Deus uma volta no tempo pediria não por mim, mas por ele. Igual a Pelé, nunca mais. O Edson, como ele se nomina quando fala de si, alcançou aos 21 anos o mesmo número de gols que Messi tem hoje. Tinha 17 quando foi campeão do mundo pela primeira vez, o que hoje, Cristiano Ronaldo, Messi ou Neymar nunca foram. Deixou o Santos em 1974, jogo contra a Ponte Preta que me coube transmitir e quando ajoelhou-se agradeceu aos céus, de quem sempre julgou-se devedor, os 1.116 cotejos e os 1.091 gols marcados. Depois foi lançar o futebol nos Estados Unidos, que hoje tem uma Liga que deixa longe a nossa desastrada CBF. Kaká, que joga por lá e está longe de ser um Pelé, ganha muito mais do que o rei ganhou durante toda sua carreira. O que atesta o poder de germinação da semente que plantou. Pelo Cosmos, Pelé jogou 106 partidas entre 1975/77 e ainda marcou 64 gols; e pela seleção, onde atuou de 1957 a 1971, jogou 92 vezes marcando 77 gols. É o brasileiro mais conhecido no mundo e se um dia aparecer na janela do Vaticano ao lado do papa o povo na praça perguntará: "quem é aquele ao lado do Pelé?" Tive como uma das minhas maiores felicidades como narrador esportivo o fato de ter começado contando ao microfone seus primeiros feitos e o ter acompanhado até o final com uma constância que muito me orgulha, enternece e intimamente me engrandece. Escreveu o Milton Neves que fui o locutor que mais gols narrou do Pelé, não posso confirmar e não existem estatísticas a respeito, mas sei que foram muitos, inclusive aquele da chapelaria na Rua Javari e o milésimo na histórica noite de 19 de novembro no Maracanã. Romário e alguns colegas falam que ele só diz bobagens. Pura inveja. Se houvesse governo neste país que ouvisse as palavras do mesmo após o feito, implorando por proteção à nossa infância desvalida, o Brasil de hoje seria outro. Se houvesse dirigentes capazes que aproveitassem a redenção que foi o fim do passe e não entregassem aos empresários e aplicadores o ouro que os atletas valem outra seria a situação de nosso futebol. Além das conquistas meramente futebolísticas, bastaria o crédito por essas e outras atitudes. Por tudo isso e muito mais é que aplaudo os 75 anos do gênio, um ser humano diferenciado, enfim, o maior atleta do século 20 e o maior craque que o mundo já viu. Palmas para o Pelé. Ele muito as merece.
Flávio Araújo, jornalista e radialista prudentino escreve aos domingos neste espaço