Cesta de ovos

OPINIÃO - Arlette Piai

Data 14/05/2019
Horário 06:20

Uma menina levava uma cesta de ovos para vender na feira. Pela estrada afora, ia fazendo contas: com a venda destes ovos vou comprar mais galinhas, com mais galinhas vou vender ainda mais ovos; com dinheiro de mais ovos, vou comprar um aviário. Aí, vou vender ovos e aves em todo o Estado, no Brasil; finalmente vou exportar para o Oriente Médio. E com o tantão de dinheiro, construirei mansões, prédios e depois contrato uma empresa para perfurar poços de petróleo... Tropeçou numa pedra e quebraram-se todos os ovos.

Quando candidato, o atual presidente da República Jair Bolsonaro aproximou-se do Instituto Senna, de grande referência em educação para todo o Brasil. Mostrou-se, embora de forma não declarada, que o ministro da Educação possivelmente seria escolhido entre pessoas experientes, altamente capacitados como Viviane Senna, cujo nome constou como alternativa. Assim, os professores, em geral, votaram em Bolsonaro principalmente na esperança da nova direção do ensino brasileiro. Não obstante, o presidente talvez conduzido pela vontade da bancada evangélica e de seus filhos, escolheu o Ricardo V. Rodrigues para ministro da educação. Foi um engodo. Reparou o erro ao demiti-lo. Entretanto, o atual ministro da Educação escolhido Abraham Weintraub, pode também caminhar pelo caminho do que foi demitido. Tem muita afinidade com o anterior, é também seguidor das ideias de Olavo de Carvalho, conta destaque no mercado financeiro, mas não na área da educação. Segundo a revista Veja, disse que "é preciso adaptar as teorias de Olavo para "derrotar a esquerda”. Será que enquanto o Brasil grita por melhora da educação, são nessas bobagens que o ministro da Educação deseja se ater? O povo brasileiro provou nas urnas o que quer, e quando a política se reduz a uma guerra entre polarização a democracia  entra em risco. Queremos governo que governe e mostre resultados. Só isso! 

A agenda ideológica do atual ministro arrisca deixar a educação sem rumo. A escola pública fundamental e de segundo grau, foram de excelência para época e hoje um tanto destroçadas. Será este o destino das universidades estaduais e federais que garantem qualidade e de ensino e constituem a única oportunidade a quem não pode pagar faculdades particulares?  O corte de 30% das universidades para aplicar na escola fundamental, é um engodo, porque em educação não se pode cortar mais nada, tem que somar para o ensino fundamental e creio que a maior remuneração deve mesmo ser dos professores do ensino fundamental. Mas se o intento do corte foi mesmo a escola fundamental, por que após dois dias depois de anunciar cortes nos orçamentos das universidades, o presidente da República corta também R$ 2,4 bi da educação básica. Meio paradoxal, não é mesmo, leitor?

Bem, o fato mais importante da eleição, ao meu ver,  foi a derrota do PT, já que sabemos para onde o Brasil seria conduzido. Resta-nos ainda esperança, porque estamos no início do novo governo e tudo indica que o ministro Paulo Guedes e Sérgio Moro tem condições de colocar a política econômica e de segurança no rumo certo, o que é também de excelência porque sem elas seria um caos venezuelano. E, em relação à Educação, o futuro é incerto, e quem sabe o rumo possa mudar, de novo. Assim, com todas as nossas energias, torcemos para que os tropeços da menina que carrega a cesta de ovos, não conduza a quebra deles. 

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