O Brasil vive uma fase complicada na política nacional: crise econômica, pedido de impedimento (
impeachment) contra a presidenta Dilma Rouseff, escândalos milionários, operações da Polícia Federal, entre outras situações. Mas, surge aí questionamentos e até falta de entendimento de pessoas que são importantes para o futuro do Brasil: vocês crianças! Então, se estão se sentindo um pouco "perdidas" no meio de tudo isso, às vezes sem entender bem o que está acontecendo, nesta coluna de hoje uma profissional baterá um papo com vocês e seus papais, mamães, a vovó, o vovô, enfim, os adultos que fazem parte de sua vida, tudo bem? O nome dela é Ana Paula dos Santos Fonseca, que trabalha na área de psicopedagogia e neuropsicologia infantil, respondendo algumas perguntas.

Ana Paula orienta pais sobre como lidar com cenário político
O Imparcial - Se para os adultos é uma situação que tem, inclusive, criado confusão, discussões no trabalho, como explicar isso a uma criança, sem expor um lado opinativo?
Ana Paula: A criança de hoje é muito diferente daquela de alguns anos atrás. Hoje ela está mais participativa das conversas dos adultos à sua volta e a mídia e a tecnologia facilitam a chegada das informações até elas. Desta forma, questionam mais sobre o que vem acontecendo e querem respostas para que possam compreender, assimilar e assim poderem conversar sobre este assunto também em suas rodas de amigos, como na escola, por exemplo. A criança reproduz o que presencia em casa. Desta forma, é necessário que pais, cuidadores, os adultos que a cercam, tomem cuidado em como se posicionam diante dos pequenos, as palavras que usam. Todos podem demonstrar sua posição diante do assunto, mas sem desmerecer outras pessoas que discordem de sua opinião.
O Imparcial - Como fazer com que a criança entenda o cenário político atual?
Ana Paula - É um pouco complicado falarmos do entender, pois cada criança amadurece em seu tempo. Em média, no geral, apenas lá pelos 9 a 10 anos de idade é que elas conseguem compreender melhor conceitos abstratos, ou seja, aquilo que não conseguem visualizar, tocar, e a política é algo muito complexo. Até então, elas vão guardar as informações que as pessoas passam para elas. A partir do início da adolescência é que começam a ler com um olhar mais crítico e tiram suas próprias conclusões a partir das experiências já vivenciadas. Acreditam ou não no que outros lhe passam como informação.
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Qual a melhor maneira de conversar sobre o assunto com os pequenos?
Ana Paula – Nós adultos, não devemos nos esquecer, que estamos tratando com uma criança, um ser em desenvolvimento, que está aberto a aprendizagem e o conhecimento do novo, a formação de um cidadão. Desta forma é preciso que expliquemos sempre às crianças o que está acontecendo, usando palavras simples e de forma clara. Às vezes, esquecemos que são crianças e não levamos em consideração a idade delas. Então, papais, temos que explicar às nossas crianças que somos todos seres de direitos, de responsabilidades, e que todas as ações têm consequências. Independente do que cada pessoa acredite.
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Caso a criança já entenda e divirja seu pensamento do de seus pais ou qualquer outro adulto à sua volta, como este deve se portar?
Ana Paula - Devemos mostrar que o respeito vem acima de tudo. Devemos expor nossa opinião, porém deixar que o outro fale também. Não agir como se fosse o dono da razão por ser adulto e o outro ser apenas uma criança. Ao permitir que o outro fale, o adulto mostra que é possível sim ouvir opiniões contrárias de forma educada e com respeito. Passaremos dessa forma, a mensagem à criança de que não há necessidade de brigar por existir diferenças de pensamento. E que deve ser assim no cotidiano sobre todos os assuntos: política, religião, futebol, orientação sexual. Todos têm direitos e deveres com a sociedade, e um dos direitos é de expor o que acredita e, o dever é aceitar opiniões diferentes e respeitá-las.