A falta de produtos gerada pela queda no abastecimento fez com que a Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo) de Presidente Prudente operasse em quantidade reduzida. Por conta da greve dos caminhoneiros, o local comercializa 40% do volume habituado diariamente. A problemática está atrelada à falta de entrega por conta dos caminhões parados nas rodovias, que faz com que também não haja oferta significativa aos mercados prudentinos.
De acordo com o técnico administrativo do Ceagesp, Thiago Pereira da Silva, entre os produtos mais afetados é possível citar: batata, beterraba, cenoura e abobrinha, que já não possuem mais estoque. “É como a gente previu na última semana: as mercadorias estão se esgotando e já não há muito que oferecer. O que tem mantido o mercado são as verduras e hortaliças que são produzidas na região”, argumenta. Ele lembra que não estão conseguindo atender a demanda.
Em relação aos preços praticados, Thiago garante que a majoração se manteve a mesma dos últimos dias, em torno de 30 a 40%, nos produtos que tem. Por exemplo, para hoje, ele estima que não haja mais laranja, já que ontem trabalharam com uma quantidade bem pequena. “O que afeta também é a qualidade dos itens, pois há menos exigência, em vista da falta de opção”, pontua.
E a falta de opção ou até mesmo do próprio produto gera déficit. A batata, escalada pela Ceagesp ao grupo dos produtos que já não possuem mais, na prática do Supermercado Estrela, loja do centro, isso já é confirmado. O gerente do estabelecimento, Diego Yamasaki, também cita a cenoura e o tomate no esgotamento, sem mencionar os cortes de frango e carne suína, que estão chegando ao fim. “Pois são produtos que geralmente compramos diariamente”, argumenta.
Por lá, ele também menciona problemas com o quadro de funcionários, por conta da falta de combustível e da operação integral do transporte público municipal. Esse problema ainda não tingiu o Supermercado Nagai, porém, o gerente Júlio César Peres registra falta do gás de cozinha, pelo menos na compra. “Não encontramos na cidade e praticamente temos apenas para o uso de hoje [ontem], e isso pode afetar a confecção de outros produtos, como rotisseria, pães e etc.”, explica.
No que tange à falta dos produtos, ele também menciona a batata e a cenoura como principais, além das folhagens. A cada dia, ainda de acordo com ele, a dificuldade tem sido maior. Questionado sobre as medidas adotadas com os clientes, ele não cogita racionamento, mas pede desculpas. “Não há muito que fazer”, finaliza.
Apas
A Apas (Associação Paulista de Supermercados) observa que a falta de produtos nos supermercados está mais presente em itens de FLV (Frutas, Legumes e Verduras), que são perecíveis e dependem de abastecimento diário, além de carnes, leite e derivados, panificação congelada e produtos industrializados que levam proteínas no processo de fabricação. “Todos esses itens formam os grupos de produtos que representam 36% do faturamento dos supermercados”, destaca.