Capacidade de doar-se ao próximo deve ser multiplicada na sociedade

EDITORIAL - Da Redação

Data 24/05/2017
Horário 12:44

Em uma época que as pessoas estão cada vez mais individualistas, preocupadas com o próprio umbigo, algumas ações despontam na sociedade, de maneira que a esperança no futuro da raça humana não se mostra completamente perdida. Entre essas práticas, uma das mais valiosas é a doação, pelas mamães, de seu leite materno excedente aos recém-nascidos que não têm a chance de serem amamentados pela própria mãe e, assim, dependem dos chamados Bancos de Leite.

Em Presidente Prudente, por exemplo, o BLH (Banco de Leite Humano) da Secretaria Municipal de Saúde conta atualmente com 75 mães doadoras de leite materno cadastradas, que atendem 80 prematuros, como noticiado recentemente por O Imparcial. Número considerado baixo pelo órgão, já que supre apenas 60% da carência, para qual seriam necessárias pelo menos 120 doadoras.

Mesmo com o déficit, o serviço prestado pelo órgão, somado à solidariedade das mamães e seus filhinhos que compartilham de seu leite, garante a sobrevivência diária de até dez prematuros internados nos hospitais de Prudente a cada litro de leite. O gesto assegura a vida desses pequenos, que talvez não teriam meios de sobreviver sem as chamadas “mães de leite”.

De forma semelhante, outras iniciativas também representam a oferta da própria vida ao próximo, como a doação de sangue, ou mesmo a de órgãos. Daquilo que, de maneira inexplicável e sobrenatural recebemos gratuitamente, doamos de igual modo ao próximo e, assim, cooperamos para a manutenção e continuidade da vida.

São apenas alguns dos comportamentos que nos levam a crer em uma sociedade melhor, com pessoas preocupadas em amar o próximo e até mesmo dar-lhe a vida, se necessário. Pensamento que, infelizmente, como vemos nos noticiários recentes, está fora de moda entre os políticos e governantes do país, que utilizam o dinheiro público de maneira irresponsável. Isso quando não o surripiam, extraviando assim as verbas da saúde, educação, saneamento ou infraestrutura.

Tão logo, a esperança está na capacidade do brasileiro de doar-se a si mesmo pelo próximo. Seja nos pequenos gestos diários, ou naqueles que, como a doação do leite materno, que também é fácil e simples, resultam em vida. O Brasil precisa da multiplicação das pessoas que não se preocupam apenas consigo, ou com suas posses, mas que se levantem dispostas a dar o sangue em favor da coletividade.

Publicidade

Veja também