A Câmara de Presidente Prudente requereu que a prefeitura suspenda a implantação da ciclovia na zona norte do município, até que estudos técnicos e esclarecimentos, por parte do secretariado envolvido com a obra, sejam feitos. A interrupção do serviço foi instituída em caráter de urgência, por meio do Requerimento 08900/16, aprovado na sessão ordinária de segunda-feira, e foi enviado ao Executivo ontem. O documento é assinado pelos 13 vereadores do Legislativo e visa atender às solicitações de moradores da região que, assim como os membros da casa de leis, temem ocorrer outros acidentes devido à disposição em que a ciclovia se encontra.
Ainda durante a sessão da Câmara, houve a presença de aproximadamente 100 pessoas, que realizaram uma manifestação pacífica contra o prosseguimento da construção da ciclovia. Elas ainda protestaram e lembraram da morte do motociclista Marcio Aparecido Rosa, o Tiquinho, 35 anos. Como noticiado por
O Imparcial, o prudentino faleceu na noite da última quinta-feira, vítima de um acidente de trânsito na Rua Alvino Gomes Teixeira, no Brasil Novo, às margens da ciclovia mencionada.

Após sessão, vereadores conversaram com alguns presentes
"Hoje foi um movimento pacífico e, um grupo de cinco manifestantes se reuniu com os 13 vereadores presentes, conseguimos a votação do requerimento e o próximo passo será marcar uma reunião com o prefeito Milton Carlos de Melo, o Tupã (PTB)", afirma Vanderlei Aparecido Oliveira da Silva, 22 anos, irmão de Tiquinho.
Com faixas, cartazes e gritos de ordem, familiares, amigos e vizinhos de Marcio, além de outros moradores do distrito de Montalvão – onde a vítima morava – e demais munícipes da zona norte, pediram que a prefeitura "pare com a instalação" da ciclovia, para que outras ocorrências não ocorram e para não comprometer a segurança das pessoas que por ali passam. Alguns dos presentes ainda conversaram, após a sessão, com os legisladores. Como divulgado no domingo por este diário, outro protesto foi realizado na manhã de sábado, mas, na ocasião, manifestantes danificaram a obra, atearam fogo em pneus e houve confronto com policiais militares. Os danos ao patrimônio público serão investigados pela CPJ (Central de Polícia Judiciária), como exposto na edição de ontem.
ZONA NORTE
Vereadores temem mais acidentes
Rogério Lopes e Bruno Saia
DA REDAÇÃO
Para os vereadores de Presidente Prudente, um estudo técnico deve ser apresentado para que comprove a viabilidade e segurança da instalação da ciclovia na zona norte do município. Além disso, segundo os edis, responsáveis da prefeitura devem apresentar tais indicações, demonstrando aspectos positivos e estruturais da construção. Na tarde de ontem, o promotor de Justiça, André Luis Felício, e membros do Executivo percorreram o trecho que recebe as obras.
Conforme Valmir da Silva Pinto (PTB), quem não possui conhecimento técnico e olha a ciclovia da forma que está "percebe que aquilo vai causar mais acidentes". Isso, segundo ele, pelo formato com que a obra tem sido executada, em relação à dimensão e aos blocos de concreto instalados na extensão da pista. "Fui conhecer o lugar e, realmente, sem os devidos subsídios técnicos, aparenta que causará mais problemas", pontua o legislador.
Por isso, Valmir diz que os vereadores aprovaram o requerimento, solicitando a apresentação dos planejamentos técnicos e convidando os gestores da Sosp (Secretaria Municipal de Obras e Serviços Públicos), da Semav (Secretaria Municipal de Assuntos Viários e Cooperação em Segurança Pública) e da Seplan (Secretaria Municipal de Planejamento, Desenvolvimento Urbano e Habitação), para que, em uma reunião a ser marcada futuramente, caso os secretários aceitem, possam discutir a respeito, inclusive para que os responsáveis abordem tais procedimentos técnicos.
Já Demerson Dias, o Demerson da Saúde (PSB), diz que, como leigo, compartilha dos mesmos apontamentos de seu colega do Legislativo. Ele também cita os blocos de concreto colocados entre as pistas, indicando a extensão da pista de ciclismo, e o estreitamento que foi feito nas vias devido à obra. "Reduziram o espaço de duas pistas. Em cada lado ficou apenas uma e meia", ressalta.
Estes apontamentos, feitos pelo vereador, "podem sim acarretar novas ocorrências". Dermerson frisa que alguns moradores da localidade já confirmaram a ocorrência de outros acidentes, desde quando a instalação da pista começou, não com a gravidade do último, que acabou na morte de Marcio. Por isso, o vereador esclarece que os trabalhos devem ser interrompidos até que as informações sejam apresentadas.
Por sua vez, o promotor André Felício informa que dentro de dois dias, técnicos da Semav e da Sosp, juntamente com engenheiros do MPE (Ministério Público do Estado), voltarão a se reunir para trocar informações e chegar a um consenso sobre a necessidade de eventual readequação. "De início posso declarar que a Promotoria entende a implantação de ciclovias como uma evolução urbanística, sendo que entre os pedestres/ciclistas e os veículos, defendemos os primeiros", pontua.
Possível ação
O advogado da família de Marcio Rosa, Carlos Roberto Sales, diz que não esteve presente na manifestação da Câmara Municipal, mas que orientou, antecipadamente, a família, para que realizasse um protesto pacífico, com calma e tranquilidade. Ele ressalta que "os presentes no protesto apenas mostraram sua indignação quanto à morte do motociclista e da continuação da instalação da ciclovia". Para ele, a forma com que a obra está sendo implantada aparenta insegurança, podendo ocasionar novos acidentes. "O requerimento é viável, pois é importante fazer análises técnicas concretas", fomenta.
Quanto à possível ação que a família possa ingressar contra a prefeitura, Carlos diz que, no momento, reúne documentos e precisa solicitar um parecer técnico para, assim, analisar a responsabilidade do Executivo.
Obras prosseguem
De acordo com a Secom (Secretaria Municipal de Comunicação), "as obras não têm como ser interrompidas" e, por isso, vão prosseguir. A pasta esclarece que, antes mesmo do início da implantação das ciclovias (que compreendem 42 quilômetros na cidade), o projeto foi apresentado aos vereadores. Quanto ao requerimento, a Secom expõe que a prefeitura prestar as informações solicitadas, "mas que as obras de mobilidade urbana vão prosseguir".