Andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar!

OPINIÃO - Saulo Marcos de Almeida

Data 09/11/2021
Horário 04:30

Para Deus, o Pai, a religião pura e verdadeira é esta: ajudar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e não se manchar com as coisas más deste mundo.
Tiago 1.27

Ao considerar a linguagem do universo simbólico e prático de uma parte considerável de fiéis nota-se antes de tudo que, o fenômeno religioso contemporâneo ainda está em crescente alta contrariando todas as previsões pessimistas que apontavam a falência e o descrédito da espiritualidade cristã, tendo como principal responsável dessa leitura, a secularização (movimento iluminista iniciado pela modernidade). 
O que se pensou superado, reapareceu e se mantém com todo o vigor forçando os estudiosos da religião (antropologia, sociologia) a reelaborarem suas pesquisas na tentativa de compreender melhor o fenômeno, intitulado por alguns de: emergente retorno do sagrado. Deus não morreu, como desejava Nietsche! 
Contudo e, infelizmente, o movimento religioso aqui referido enche as estatísticas, mas não oferece sentido (significado), nem tão pouco supera a fé individualizada e funcionalista da religiosidade popular que não transforma socialmente, os contextos de contradições e limitações humanas. Ainda é um fenômeno sem quaisquer compromissos com a dimensão humanizadora em que o ser humano não é considerado como histórico-social, psíquico (subjetivo-interioridade) e muito menos biológico (tem o seu corpo). A religião, produtora de sentido, se perde num movimento irracional, de modismos extravagantes, adesão personalista a seus líderes “poderosos” e refúgio constante e recorrente da realidade fazendo lembrar Freud e Marx para os quais a religião era a ilusão e o ópio (finalidade de fuga da realidade). 
O que se tem concretamente é um exagerado número de fiéis a pular de uma igreja que não mais lhe servia (não mais funcionava), porque nunca esteve nela, simbólica ou racionalmente falando, para a adesão emocional de uma nova religião/espiritualidade individualista, funcional e, sobretudo, antropologicamente falando: demasiada humana, pois baseada em suas próprias vontades e determinações. Esforço religioso contingenciado pela luta com o diabo/confusão com o propósito de negar o corpo, dessacralizar o mundo e ganhar o céu rumo ao porvir. 
Pessoalmente, acredito que essa forma de viver a cristandade prejudica a compreensão de toda a realidade humana (imagem e semelhança de Deus) e seus determinantes: a origem (quem somos), valores (como pensamos), cultura (como vivemos) e religião (que forças dominam nosso meio). Faz-se do fiel um completo alienado a respeito da vida e suas implicações atuais e cotidianas. Acredito que nenhum movimento evangelístico deve prescindir do lócus e da experiência real de vida do ser humano.
Mas, pior ainda, a busca pela experiência do sagrado a qualquer custo e desvinculada da realidade impede, na espiritualidade desencarnada e apenas vertical, que o ser humano carente, pobre e desprotegido seja alvo de amor e cuidado. Perde-se, então, a verdadeira e urgente alteridade de uma fé que precisa atender o momento denominado: aqui e agora. 
 

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