Além do currículo

OPINIÃO - Walter Roque Gonçalves

Data 06/04/2025
Horário 04:30

O mercado de trabalho sempre valorizou currículos bem elaborados, repletos de experiências e qualificações. No entanto, contratar apenas com base neles tem se mostrado uma estratégia arriscada. O motivo? O papel aceita tudo. Muitas contratações ocorrem pela força de um currículo bem escrito, mas as demissões geralmente acontecem por comportamento. 
Comprometimento, resiliência, ética e outras competências socioemocionais não aparecem no documento, mas são determinantes para o desempenho do profissional. Por isso, referências pessoais e indicações ainda possuem um peso significativo. Alguém que já trabalhou com o candidato e pode atestar sua conduta, postura e comprometimento vale tanto quanto qualquer certificação. 
Quando referências não estão disponíveis, cabe ao recrutador buscá-las. Redes sociais oferecem pistas valiosas sobre valores e atitudes, enquanto feedbacks de empregos anteriores podem revelar padrões de comportamento. Além disso, testes de personalidade e dinâmicas são recursos eficazes para avaliar traços que um currículo não demonstra. 
Diversas ferramentas de avaliação comportamental estão disponíveis no mercado para auxiliar nesse processo, tais como Metodologia DISC, Teste de Perfil STAR, Teste de Dominância Cerebral (HBDI), Big Five, PDA (Personal Development Analysis), Profiler e HumanGuide, entre outras. Essas ferramentas permitem uma compreensão mais profunda das competências socioemocionais dos candidatos, ajudando as empresas a tomar decisões mais assertivas.
Um profissional desalinhado com a cultura organizacional pode resultar em baixa produtividade, conflitos internos e até mesmo impacto negativo no ambiente de trabalho. Quando isso ocorre, a demissão se torna inevitável, e o processo de recrutamento precisa ser reiniciado, juntamente com os custos para gerar a demissão e para treinar o novo funcionário. A rotatividade elevada afeta a moral da equipe e prejudica a estabilidade e qualidade das entregas da empresa ao mercado.
Portanto, investir em uma seleção criteriosa, que vai além do que está escrito no currículo, é essencial para minimizar esses riscos. O currículo segue sendo um instrumento útil, funcionando como um cartão de visita mais detalhado. No entanto, olhar além do que está escrito lá é fundamental para evitar erros de contratação que possam comprometer o crescimento e a sustentabilidade da empresa. Afinal, bons profissionais vão muito além das palavras que aparecem no papel.
 

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