Autorizada pela Justiça Eleitoral e acompanhada pelo Ministério Público Eleitoral, a Polícia Civil de Pirapozinho realizou buscas em nove imóveis - desde residências a estabelecimentos comerciais - dos políticos acusados de suposta compra de votos, e denunciados por supostamente terem entregado camisas vermelhas aos eleitores no domingo, durante as eleições municipais. As vestimentas foram localizadas em vários locais.
De acordo com o delegado Marcelo Costantini, todos são da chapa do prefeito reeleito Orlando Padovan (DEM). Durante a ação, o vereador Cícero Alves Maia (PRP), não reeleito, foi detido em seu bar por porte ilegal de arma e contrabando de cigarros paraguaios sem a nota fiscal. Cícero é dono do bar há 27 anos. Tasmbém em seu estabelecimento foram encontradas 25 peças iguais às vestidas pelas pessoas no domingo.

Camisetas foram encontradas nas casas de candidatos
Ainda durante as fiscalizações, na casa do atual vereador e vice-prefeito eleito da nova chapa de Padovan, Antônio Carlos Colnago (PSB), foram encontradas camisetas idênticas às demais, embaladas, novas e sem uso.
A reportagem tentou entrar em contato com Antonio Carlos no decorrer da tarde de ontem, assim como tentou uma posição do advogado de Cícero sobre seu caso, mas, até o fechamento desta edição, nenhum dos dois foram encontrados.
"Desde a madrugada de domingo recebemos denúncias de que havia distribuição de camisetas e bebidas alcoólicas por parte de candidatos, e passamos a fazer monitoramento. Constatamos, na data das eleições, muitas pessoas com camisetas alusivas a determinado grupo político em diversos locais da cidade", relata o delegado.
Ação dos candidatos
Marcelo diz que alguns desses indivíduos causaram tumulto e foram conduzidos à delegacia, onde as camisetas foram apreendidas. "Com isso, foi-se constatando que todas elas eram idênticas", diz. Prosseguindo nas diligências, a polícia identificou diversos eleitores que foram aliciados por meio de pessoas que trabalhavam para os candidatos, e também, em alguns casos, pelos próprios candidatos, diretamente. Conforme a polícia, eleitores, em geral de baixa renda e escolaridade, eram procurados e ofertava-se uma quantia em dinheiro e a camiseta alusiva à chapa. "Nesta condição, eles deveriam votar nos candidatos indicados, usar a camiseta no dia da eleição e andar pela cidade com ela, e, em caso de vitória dos candidatos, o valor inicialmente ofertado seria dobrado". "Ainda aproveitando a simplicidade dos eleitores aliciados, anotavam o número do título de eleitor, RG e CPF deles, e diziam que com isso saberiam em quem tinham votado. Caso não votassem neles, não receberiam a quantia prometida. Portanto, sempre é importante a orientação no sentido de que o voto é secreto", destaca.
Foram identificados diversos eleitores que confirmaram a venda do voto. Eles foram ouvidos e apresentaram as camisetas. Em um dos casos, o eleitor entregou a quantia recebida em espécie para apreensão. Também foram obtidas fotografias da distribuição de bebidas alcoólicas, em que as pessoas trajavam camisetas e faziam referência ao número de determinado grupo político.
Nas buscas foi confirmado o que havia sido apurado, e, além das peças, localizaram diversas listas com nomes de eleitores, anotações dos que já tinham recebido e para os quais ainda faltava fazer o pagamento. Algumas que não tinham sido distribuídas, comprovando-se que a distribuição partiu dos próprios candidatos.
"Por enquanto, ninguém foi detido por conta das camisetas. O caso foi outro. Mas diligências prosseguirão com a análise das diversas provas obtidas", expõe a autoridade.
"Consciência tranquila"
O prefeito reeleito, Orlando Padovan, diz em nota, por meio de sua Assessoria de Imprensa, que não tomou o conhecimento oficial sobre a operação, porém, garante que está com a "consciência tranquila". "Posso garantir que não comprei votos e não autorizei ninguém a comprar. Nossa campanha foi limpa, feita com transparência, baseada no plano de governo e na administração que eu já vinha fazendo", defende-se.
Ainda conforme o prefeito, não houve a compra de camisetas pelo o seu partido. "Não comprei camisetas e não autorizei pessoas a comprarem, até porque eu sei que isso é ilegal. Eu realizei um trabalho limpo, paguei as dívidas da Prefeitura, realizei obras e fui reconhecido pela população. Por isso, fui reeleito", pontua.