A Educação Interprofisisonal (EIP) em Saúde

A partir das análises arquigenealógicas realizadas por Michel Foucault, aprendemos como o biopoder é um dispositivo higienizador da sociedade, em que as profissões que compõem a área da saúde, a partir de suas competências, executam seu exercício profissional de forma a promover à vida em todas as suas dimensões. Assim, com o avanço tecnológico e científico, a Educação Interprofissional (EIP) é uma ferramenta importante como recurso para o desenvolvimento de habilidades, competências e atitudes colaborativas na área da saúde. Embora ainda possua pouco apoio institucional, motivação e capacitação pedagógica para sua implementação, a EIP visa o fortalecimento da interprofissionalidade a partir das competências de cada profissão, sem ferir a autonomia que lhes é própria.
Ademais, a EIP como dispositivo pedagógico visa unir as relações de saber/poder das diferentes profissões em prol de um objetivo comum, que é a vida plena, cerceando as disputas internas manifestadas pelos conselhos profissionais. Assim, a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de cada profissão em saúde, é possível analisar como as relações de saber/poder legitimam o exercício profissional, para, então, promover saberes e práticas que são comuns aos profissionais, bem como, favorecer o emprego das competências específicas de cada profissão.
A partir da teoria dos sistemas complexos, observa-se que a individualidade, quando imersa num grupo heterogêneo, busca harmonizar-se sem perder suas características. Metaforicamente, uma única profissão não é capaz de dar conta da magnitude dos fenômenos que afetam à vida plena, cabendo-lhe a necessidade de estabelecer relações de confiança, parcerias, afetos e corresponsabilidades que culminam em práticas em saúde compartilhadas, em que as relações de saber/poder dar-se-ão espontaneamente.
O compartilhamento das relações de saber/poder na área da saúde não pode ser visto como uma ameaça à autonomia; pelo contrário, o biopoder é sempre afirmativo, cabendo aos profissionais da saúde a compreensão e esclarecimento de que suas práticas afetam seus pacientes em todas as dimensões da vida e que não se trata, apenas, da perpetuação das estruturas de poder, mas do direito à saúde como condição estruturante de uma vida plena.
Por fim, a EIP é um desafio na área da saúde justamente por potencializar encontros e desencontros das relações de saber/poder que estão presentes nas instituições de saúde, cabendo aos gestores, o discernimento e compreensão deste dispositivo como uma ferramenta de auxílio para organização do processo de trabalho e para a gestão de pessoas.
 

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