2ª Caminhada Azul marca Dia do Autista em Prudente

PRUDENTE - Oslaine Silva

Data 03/04/2016
Horário 09:06
A manhã de ontem esteve mais azul no Parque do Povo de Presidente Prudente, com a 2ª Caminhada Azul, realizada pela Lumen Et Fides (Associação de Desenvolvimento de Crianças Limitadas). Data esta em que se celebra mundialmente o Dia da Conscientização do Autismo, - criada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 2008. O objetivo da iniciativa é promover debate sobre o assunto, colaborando assim com a "inserção social do autista".

Durante a ação, o presidente da entidade, Vandik Souza Fernandes, 61 anos, ressaltou o prazer que sente em participar, diuturnamente, da vida de centenas de famílias que possuem em seu seio familiar uma pessoa com TEA (transtorno do espectro do autismo).

Jornal O Imparcial Famílias inteiras participaram da ação em alusão à data

"Deus deu essa incumbência para estas famílias tão especiais, então, não me canso de pedir a Ele que as abençoe todos os dias! Me emociono com a dedicação de pais, filhos, irmãos, no cuidado com seus entes tão queridos. E neste dia buscamos a conscientização da sociedade em geral sobre esse assunto", destaca o presidente.

Entre vários apoiadores da ação estava o analista de sistemas, Eduardo Fernandes Tanaka, 35 anos, que acredita que o envolvimento nesse tipo de evento ajuda a difundir essa conscientização. "Sabemos que o diagnóstico ainda é difícil, que pais podem levar tempo para perceber, que a falta de esclarecimento é grande. Ou seja, essas atitudes discriminatórias pela falta de conhecimento sobre o assunto podem ser minimizadas", expõe o analista.

Entre várias mães, Adriane Aparecida Reis, 37 anos, revela que seu maior medo quando o pequeno Brian nasceu, há um ano e oito meses, era de não saber cuidar bem de seu filho. Segundo ela, que já era mãe de uma adolescente, "no começo foi difícil". "Mas hoje não é mais. Esse dia é importante para esclarecer a população em relação ao TEA, mas confesso que nunca tive medo dos questionamentos da sociedade. Me sinto abençoada por Deus em poder dedicar 24 horas do meu dia ao meu filho", expõe a mãe.

 

Entendendo o autismo


Segundo a psicóloga da entidade, Soellyn Tofanelli Silva, 30 anos, atualmente, 55 crianças e adolescentes com deficiências físicas decorrentes de patologias neurológicas ou neuromusculares e transtorno do espectro autista, de Prudente e região, recebem atendimento na Lumen.

Soellyn explica que o TEA é um distúrbio do desenvolvimento que se caracteriza por alterações presentes desde idade muito precoce. "Tipicamente, antes dos três anos é uma alteração com impactos múltiplos. Afeta quase todos os aspectos do comportamento, as experiências sensoriais, funções motoras, o senso físico. As áreas de comunicação, interação social, são prejudicadas", explica.

Conforme a psicóloga, as causas do TEA são desconhecidas, mas, acredita-se que a origem seja de ordem  genética. No entanto, não há exames que comprovem com 100 % essa hipótese diagnóstica.

 

Desafios e superação


Soellyn destaca que um dos maiores desafios de conscientização está na falta de informação de vivência. "Se eu não conheço é muito provável que eu não vou saber como agir, e a resposta da falta de conhecimento é o isolamento, principalmente das crianças. E consequentemente, da família", observa. "Os cuidados da pessoa com TEA exige da família períodos extensos de dedicação, provocando, muitas vezes, a diminuição nas atividades do trabalho, lazer, assim como o próprio autocuidado", frisa a profissional.

Para a psicóloga, trabalhar com pessoas com autismo e seus familiares é algo enriquecedor. "Sou apaixonada pelo meu trabalho, pois me possibilita, enquanto terapeuta, acompanhar de perto as dificuldades e principalmente as superações. Somos surpreendidos diariamente! Não há nada mais gratificante que receber um abraço, um olhar, o sorriso de uma criança de forma espontânea, que por um tempo passava despercebida", comenta a psicóloga.

 

SAIBA MAIS


COMO TRATAR


Os tratamentos mais usuais de intervenção são: o método Teacch-Ensino Estruturado que utiliza uma avaliação chamada PEP-R (Perfil Psicoeducacional Revisado), ABA-analise aplicada do comportamento e o PECS (sistema de comunicação por troca de figuras). Existem outras formas de tratamento como psicoterapêutico, fonoaudiológico, equoterapia, com especialistas na área de fisioterapia e terapia ocupacional, entre outros.
Publicidade

Veja também