“Meu chão se abriu naquela hora. Eu estava ali sozinha, e até então não sabia ao certo o que era a Síndrome de Down. Senti muito medo de tudo. De não saber o que fazer daquela hora em diante, como lidar com o ser humano. Mas, o maior deles confesso que foi o preconceito. Cheguei ainda a pensar: ‘minha filha é doente, como vou fazer para trabalhar e sustentá-la?”, narra Tatiane Aparecida de Souza, 40 anos, divorciada, mãe solo de quatro filhos: Eduarda, 24 anos, Mariana, 15, Emanuel, 4, e Heloísa, 6, que tem t21.
Neste 21 de março, em que se comemora o Dia Internacional da Síndrome de Down, Tatiane destaca que é importante conscientizar a população sobre a inclusão social, para que as crianças como sua Helô não se sintam diferentes de qualquer outra criança. De qualquer outro ser humano. “Nossos filhos são capazes de aprender, ser alfabetizados. Minha filha ama dançar, ama música, ama cantar. Ela já está no 1º ano e tudo que lhe é proposto ela aprende. A inclusão social hoje nada mais é que dar a oportunidade às crianças que têm alguma condição especial, no caso a Síndrome de Down, de se sentirem dentro da sociedade para que possam mostrar que também são capazes, que não é uma condição que vai atrapalhar o desenvolvimento delas”, frisa a mãe.
Tatiane conta que soube que a filha poderia ter t21, um dia após o seu parto. Simplesmente chegaram ao seu quarto e disseram que sua menininha tinha as características de uma criança Down. E ali sozinha ela sentiu o chão se abrir sob seus pés.
Entretanto, se naquele momento o medo tomou conta de todo seu ser, hoje, Tatiane afirma com certeza que o desenvolvimento dessas crianças vai muito além de terapia e dos profissionais que as atendem. Sendo para ela a família responsável por 80% da evolução dessa criança. “Se essa criança está num ambiente familiar que transmite amor e carinho, pode ter certeza que ela crescerá feliz, inteligente... Podem existir mil tratamentos, mas se não tiver aquela dedicação, união da família, de nada vai adiantar”, acentua a mãe.
Tatiane comenta que, lamentavelmente, as pessoas com Síndrome de Down, embora sejam capazes de tudo, não têm as mesmas oportunidades que outras. Ela lembra que hoje se vê nas redes sociais pessoas com t21 tirando habilitação, se casando, se formando em faculdade. Enfim, tendo uma vida normal, mas ainda falta muito para alcançar a questão da inclusão, tanto nas escolas, independente se municipal, estadual ou particular. Na questão profissional, hoje vemos muitas empresas empregando t21. Mas ainda falta muito para uma inclusão verdadeira. “Muito se fala, mas na prática não existe. A gente luta para que nossos filhos sejam incluídos sim na sociedade para ter uma vida como todos têm. Mas falta o interesse dos governantes de todas as esferas em capacitar professores. Porque professor tem, o que não tem é o apoio das Prefeituras para ajudar na questão da educação, melhores salários...”, denota Tatiane.
Tatiane diz que Heloísa é uma criança extremamente amorosa, carinhosa, solícita, muito prestativa, inteligente, um encanto. “Ela é uma criança normal, a trato como os meus outros filhos e os ensinei a tratá-la da mesma forma. Está muito bem na escola. Até os profissionais que a acompanham hoje nas terapias de psicomotricidade, fono e balé, comentam que ela é incrível, porque o que propõem a ela, já pega de primeira”, orgulha-se a mãe.
Ela salienta que desde que nasceu, Helô é uma criança muito calma. E essa era uma das coisas que ela teve muito medo ao ouvir relatos de algumas mães que diziam ter filhos agressivos, que não conseguiam sair com a criança por conta da agressividade, do nervosismo.
O maior medo de Tatiane era o preconceito que a filha poderia sofrer, ela agradece a Deus por nunca ter vivido isso até aqui. Mas percebe sim, às vezes, os olhares das pessoas de forma diferente. Alguns, até por desconhecimento do que é a Síndrome de Down, perguntam se sua filha é doente. “Respondo que não, que ela é como a gente, como todo mundo, que só tem uma condição genética diferente, que não a incapacita em nada”, pontua.
Fotos: Cedidas
Tatiane e os filhos Eduarda, 24 anos, Mariana, 15, Emanuel, 4, e Heloisa, 6
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