Na região de Presidente Prudente, depois do anúncio de que nesta semana haveria uma regressão de fase na flexibilização, voltando para a mais restrita, o cenário encontrado em relação ao comércio foi o mais diverso nos municípios apurados por este periódico. Foi possível localizar desde estabelecimentos com portas totalmente fechadas, e até mesmo cidades com lojas funcionando normalmente. Independente do cenário, o decreto estadual determina que a região toda mantenha as atividades comerciais interrompidas até segunda ordem.
Em Indiana, por exemplo, conforme apurado, apenas os serviços essenciais foram encontrados abertos durante todo o dia de ontem. Um dos fatores para que isso ocorresse foi o fato de que a Prefeitura, antes mesmo do anúncio de que a região deveria regredir de fase, já havia recuado e decretado o fechamento das atividades comerciais, na preocupação com o número crescente de novos casos. Com a população praticamente toda respeitando o isolamento, pelo que foi apurado, o município conta ainda com um controle por meio de barreiras que foram criadas nas duas entradas da cidade, que medem a temperatura dos motoristas e acompanhantes que chegam ao município.
Em Mirante do Paranapanema, o cenário encontrado foi o de ruas lotadas e dificuldade para localizar um lugar para estacionar o carro na tarde de ontem. A Rua Cuiabá, principal fomentadora do comércio local, estava quase que em sua totalidade com as lojas abertas e a população em busca de itens como roupas e sapatos. Além disso, foi relatado que tanto crianças quanto idosos estavam nas ruas, mesmo que de máscaras, e de pessoas, em casos pontuais, que deixavam o item de proteção no queixo ou sequer portavam uma.
Já em Santo Anastácio, ontem, o comércio seguia com seu funcionamento normal, visto que a própria Associação Comercial do município divulgou nas redes sociais o horário de funcionamento para a ocasião, que ocorreu entre 8h e 18h, desde que com o uso de máscaras e demais medidas de higiene. Ao ser questionado sobre a abertura diante do decreto, o presidente Luiz Carlos Silva afirmou que “sabia do risco que estavam correndo em manter aberto o comércio”.
“AS PREFEITURAS DEVEM RESPEITAR A DETERMINAÇÃO ESTADUAL, SOB PENA DE SEREM BARRADAS PELA JUSTIÇA, INCLUSIVE POR INICIATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO”
Governo do Estado de SP
No entanto, ressaltou que a previsão era de que a partir de hoje, as portas dos comerciantes ficassem fechadas, em obediência ao decreto estadual. Em live no fim da tarde de ontem, o prefeito Roberto Volpe (PMDB) confirmou que o comércio nesta quarta-feira estará fechado e que haverá fiscalização.
Já em Presidente Venceslau, conforme apurado por este diário, algumas portas do comércio seguiam “entreabertas”, com a possibilidade de a população ser atendida na calçada, mas com o impedimento de entrada das pessoas dentro das lojas. Segundo foi relatado para a reportagem, o uso de máscaras seguia visível para praticamente toda a população, mesmo com alguns casos pontuais de pessoas que desrespeitavam a medida imposta em todo o Estado. “Os carros estão nas ruas, as pessoas seguem buscando o centro da cidade”, foi um dos relatos obtidos.
Em nota, o Estado afirmou que governo de São Paulo instituiu o Plano São Paulo para retomada consciente e faseada da economia, com amparo em critérios estritamente técnicos e nas estatísticas de evolução da pandemia. Alertou que o DRS (Departamento Regional da Saúde) 11 de Presidente Prudente apresentou piora em três dos cinco critérios técnicos do Plano São Paulo, o que fez com que o índice de mortes pelo novo coronavírus subisse em 50% nas duas últimas semanas. A variação nas internações apresentou aumento de 60% e os casos cresceram 75%.
“As prefeituras devem respeitar a determinação estadual, sob pena de serem barradas pela Justiça, inclusive por iniciativa do Ministério Público”, finalizou o Estado.