“Infâncias únicas”

DignaIdade

COLUNA - DignaIdade

Data 16/11/2021
Horário 07:00

Tem dias que dá vontade de fechar os olhos e acionar um botão mágico para poder voltar no tempo: quantas lembranças boas e saudades gostosas de uma infância que ficou cristalizada na memória de épocas que não voltam mais. As gerações de hoje quando envelhecerem terão também suas marcas e lembranças das coisas hoje atuais e que se tornarão obsoletas, mas quem já amadureceu, consegue constatar as diferenças de tempos que escorreram pelas nossas mãos. Cada um teve sua infância única e saudades inesgotáveis: saudade de ler um gibi do Zé Carioca ou da Turma do Bolinha, da Brotoeja e da Bolota, de passar o dia inteiro sem dar notícia, brincando na rua, comendo manga no pé, tomando banho de chuva com direito a deitar na enxurrada da sarjeta. De ter um trocado para comprar um pirulito Zorro, uma bala Chita ou uma maria-mole em forma de língua colorida no bar da esquina. De ir à vesperal do cinema assistir um filme de Mazaroppi ou de Tarzan (torcendo para o bandido ser engolido pela areia movediça), ou simplesmente de ligar a televisão para assistir um desenho animado do Manda-Chuva, dos Flintstones ou dos Superamigos (e sonhar em ter um anel dos supergêmeos para gritar: ativar). Ir e voltar da escola a pé sem nenhum perigo, achar que os brinquedos da exposição eram maravilhosos (morrer de medo da Maratonga, da mulher que se transformava em macaco) e comer lanche com aquele sabor de poeirão levantado. Usar uniforme escolar e no fim do ano participar da guerra de bexigas d´água entre os alunos e assinar o gesso quando alguém quebrava o braço. Ir à represa de Martinópolis pegando ônibus que saía de frente à Catedral com direito às pipocas diferentes que ali existiam: macarrão, arrozinho. Festinha de aniversário com bolo enorme com confeitos prateados de puro açúcar, sem qualquer enfeite, mas com muito salgado e refrigerante (ou ao menos groselha e pão de forma com maionese). E quando ia se ficando maiorzinho já se podia participar das brincadeiras de fundo de quintal com direito a pisca-pisca e baile da vassoura. Tempos que não voltam? Voltam sim, sempre, na memória. 

 

TÚNEL DO TEMPO: FORTE APACHE
Para quem teve a infância entre as décadas de 60 a 80 do século 20, o maior sonho de todo garoto era ter um Forte Apache, um brinquedo da Gulliver que representava um forte de madeira do exército americano recheado de “hominhos” de brinquedo: soldados, índios e cavalinhos prontos para guerrear numa batalha idealizada pelos faroestes da televisão. O original de tudo isso foi o filme “Forte Apache” (que no Brasil recebeu o título de Sangue de Heróis) dirigido pelo mestre John Ford em 1948 e estrelado pelo maior caubói do cinema de todos os tempos: John Wayne. Na trama, o tenente-coronel Thursday (Henry Fonda) é transferido para o Forte Apache e disposto a ter honra e glória quer guerrear contra os índios, no entanto, o capitão York (John Wayne) quer uma resolução pacífica. Faroeste dos velhos tempos com direito a muito tiro e flechada, em bela fotografia em preto e branco, com muitas cenas de ação rodadas no Monument Valley, cenário típico de vários faroestes de John Ford. De fundo, o amor entre um jovem soldado (John Agar) e uma bela moça (Shirley Temple, em um de seus raros papéis adultos). Como curiosidade, os dois atores, Agar e Temple, foram casados na vida real. Matinê dos velhos tempos. 

 

Dica da Semana

Televisão 

Elenco maduro de “Um Lugar ao Sol”:
A nova novela global das 21h de autoria de Lícia Manzo traz um grande elenco de atores experientes em sua história. Bom rever Marieta Severo (Vó Noca), José de Abreu (Santiago), Ana Beatriz Nogueira (Elenice), Regina Braga (Ana Virgínia), Daniel Dantas (Túlio), Fernando Eiras (Teodoro), Débora Duarte Stella Freitas (Geizi) e as participações especiais de Genézio de Barros, Reginaldo Farias, Tonico Pereira e Ruy Rezende

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